terça-feira, 6 de março de 2012

SANTA INÊS DE PRAGA OU DA BOÊMIA - CLARISSA - 06 DE MARÇO










Santa Inês de Praga
 
Também conhecida como Santa Agnes de Praga.
 
Nasceu em 1205 em Praga, República Tcheca. 

Era filha do Rei da Bohemia, hoje República Tcheca e foi educada em Trebniz pelas freiras Cistercienses. 

Era apenas uma garota e já demonstrava fervor e desejo de se consagrar a Deus e viver intensamente a fé cristã. 
 
Por ser muito jovem e bonita não foram raros os rapazes que desejavam desposá-la. 

Porem, os seus planos para o futuro eram outros. Inês recusava a todos com gentileza declarando que o seu único compromisso era com Jesus.






 


Porem um dos homens que deseja te-la como esposa era o Imperador Frederico II. Ele era o mais insistente dos pretendentes chegando às vezes a abordá-la para pedi-la em casamento.

 Como Inês percebeu que apenas suas palavras não seriam suficientes, passou a entregar-se a suas orações com mais fervor, e provar a ele e a todos que a desejassem desviá-la do seu caminho que Deus era o seu maior desejo.


 Mas eram tantos os que vinham interceder a favor do Imperador que Inês viu-se obrigada a escrever ao Papa Gregório IX para que intercedesse por ela e a ajudasse a livrar-se desse tormento. O Papa ficou admirado com a tenacidade e a fé de Santa Inês e enviou um de seus mais hábeis assessores para pessoalmente defender Inês, desencorajando o Imperador apaixonado. 

A firmeza com que o religioso e Santa Inês explicaram o que significava consagrar-se a Deus finalmente convenceram a Frederico II a renunciar o seu amor de homem, e ele tornou-se inclusive uma pessoa de fé inabalável.




 
Santa Inês pode então ficar livre para abraçar a sua verdadeira vocação. Suas primeiras ações foram construir um hospital para os pobres, um Convento para os Franciscanos e distribuir a sua riqueza para os pobres. 

Logo em seguida fundou o Convento de São Salvador, cujos cinco primeiros membros a ingressar na Instituição foram enviados por Santa Clara de Assis. 





Santa Inês de Praga tomou seu hábito em 1234 e ingressou na Ordem das Clarissas. 

Algum tempo depois, devido a sua competência, humildade e bondade foi convidada para exercer a posição de Abadessa.

 A principio não queria a posição, mas  mais tarde devido à insistência de Santa Clara aceitou. 

Dedicou 50 anos a expandir o Convento e a Ordem das Clarissas





 
Ela gostava de cuidar dos pobres e remendava pessoalmente as roupas dos leprosos e cuidava deles, e milagrosamente, nunca contraiu a terrível doença. 










Ela tinha o dom da profecia e curava vários doentes apenas com seu toque e oração e às vezes tinha êxtases e visões.




 Apesar de nunca terem se encontrado, Santa Clara de Assis e ela trocaram extensas cartas durante duas décadas e várias dessas cartas ainda existem até hoje, e provam uma sabedora fora do comum no entendimento da Fé e de Jesus.

Faleceu em 2 de março de 1282 no Convento São Salvador, em Praga, de causas naturais.

Beatificada em 1874 pelo Papa Pio IX e canonizada em 12 de novembro de 1989 pelo Papa João Paulo II.

Seu túmulo logo se tornou um local de peregrinação e vários milagres foram atribuídos a sua intercessão. 
 
Sua festa é celebrada no dia 2 de março




CONVENTO DE SANTA INÊS EM PRAGA:





Cronologia de Santa Inês de Praga


Ano

Acontecimento

1211

Nascimento de Santa Inês (Anezka) em Praga, filha do rei Otocar I da Boêmia e de Constância da Hungria.

1214

Inês é prometida em casamento ao príncipe polonês Boleslav. É enviada, junto com sua irmã mais velha Ana, a Trebnica, na Polônia, para ser educada num mosteiro cisterciense, onde vivia sua tia-avó Santa Edwiges.

1217

Inês, após a morte de seu noivo, volta para a Boêmia. E é transferida para um mosteiro premosntratense, fundado por seu avô São Venceslau, em Doksani.


1219

Inês vai para a corte de Viena, na Áustria, para ser educada como futura esposa de Henrique, rei da Sicília e da Alemanha, filho do Imperador Frederico II.




1225

O noivado de Inês com Henrique é rompido, e ela retorna para Praga.

A partir deste ano os Frades Menores estabelecidos em Praga sob os cuidados de Inês e da família real, transmitem as notícias sobre as novas formas de vida religiosa iniciadas por Francisco e Clara na Itália.

1228
Inês recebe a primeira proposta de casamento do Imperador Frederico II.
O Inglês Henrique III também propõe casamento à princesa da Boêmia.


1230

Morre o pai de Inês o Rei Otokar I.
Início do reinado do irmão de Inês, Venceslau I.

1231
Morte de Santa Isabel da Hungria, prima de Inês.



1232-1233
Com recursos próprios, num terreno doado por seu irmão Venceslau I,  Inês empreende a contrução do Hospital São Francisco, que confiou à fraternidade dos Hospitaleiros, que se tornou uma verdadeira Ordem religiosa masculina, com o nome de Crucíferos da Estrela Vermelha, aprovados por Gregório IX. Inês também mandou edificar um convent e uma Igreja para os frades Menores, e um Mosteiro para as Irmãs Pobres, no qual ela mesma pretendia ingressar.





1234




A princesa Inês solicitou um grupo de irmãs diretamente do Mosteiro de São Damião de Assis, para começar a vida religiosa no Mosteiro da Boêmia. Porém não foi de Assis, mas de Trento que obteve cinco irmãs clarissas, por bula de Gregório IX. Com estas clarissas e mais sete jovens da nobreza boêmia, iniciou a vida religiosa na festa de Pentecostes deste ano no Mosteiro das Pobres Damas de São Damião de Praga.

Inês recebe a primeira carta escrita por Clara de Assis.


1235
18 de maio - Pela carta Cum relicta saeculi, Gregório IX quer que Inês de Praga aceite propriedades. Pode ter motivado a segunda carta de Clara a Inês.


1237

O Papa Gregório IX aprova a Ordem dos Crucíferos da Estrela Vermelha, fundada por Inês, para atender o Hospital São Francisco edificado por ela em Praga.




1238
Segunda e Terceira Carta de Santa Clara a Santa Inês de Praga.

15/04 - Carta Pia credulitate tenente, Gregório IX aceita a renúncia dos bens feita por Inês de Praga e concede, a contragosto o privilégio da pobreza.
11/05 – Carta Angelis gaudium, de Gregório IX para Inês de Praga.

Carta Ex parte carissimae, do Papa para Inês.  
1240
Morre a mãe de Inês, a Rainha Constância.



1243

Inês escreve ao Papa Inocêncio IV procurando ter a possibilidade de professar a Regra de São Francisco, mas não consegue alcançar este objetivo

Na carta In divini timore, Inocêncio IV diz a Inês de Praga que as Irmãs têm que obedecer a Forma de Vida de Hugolino.

1245
A Bula  Solet annuee confirma a Regra de Hugolino.


1247

06/08 - Pela Bula Cum omnis vera religio o Papa Alexandre IV promulga outra Regra, onde a Regra de São Bento é substituída pela de São Francisco. Mas em relação à questão da pobreza, admite ter posses e renda; entretanto, Inês já havia conseguido em 15 de abril de 1238 a aprovação do Privilégio da Pobreza para o seu Mosteiro.


1248
O Rei Venceslau I, irmão de Inês, sofre com rebeliões promovidas pelo próprio filho Otokar. Inês promove uma reconciliação entre ambos.


1252

A sede da Ordem dos Crucíferos mudou-se para Ponte Judith, na margem direita Rio Vltava.




1253

Inês recebe a Quarta Carta de Clara.

A Regra de Santa Clara é aprovada pelo Papa Alexandre IV.

Morte de Santa Clara em Assis.

Morte do Rei Venceslau I, seu filho sobe ao trono com o nome de Otokar II.


1267


Canonização de Santa Edwiges, tia de Inês.
1277
Ingressa no Mosteiro Kunhuta, filha do rei Otokar II, sobrinho de Inês.

1278
No dia 26 de Agosto, durante o ofício vespertino, Inês tem a visão do trágico fim do seu sobrinho, o rei Premysl Otakar II, morto naquele dia na batalha de Morávia.

1281

A Boêmia passa por um período difícil de fome e peste. Muitos mortos.



1282

Inês morre com setenta e um anos de idade, tendo dedicado tudo de si para tornar o Mosteiro de São Francisco um espelho da vivência do ideal franciscano e clariano. Foi sepultada na igreja da Bem-aventurada Virgem Maria, diante do altar.


1319-1328

Entre este período é composta em latim uma Legenda da vida de Inês, a pedido da rainha Elizabeth da Boêmia.


1643

Depois de ter ficado um grande tempo perdido o sarcófago de Santa Inês é reencontrado, este fato causou grande alegria em Praga.

1782
O Mosteiro fundado por Santa Inês e onde ela viveu é extinto.


1896


Um manuscrito original da Legenda de Santa Inês é encontrado  é descoberto em Milão, por Aquiles Ratti, futuro Papa Pio XI, na Biblioteca Ambrosiana, juntamente com uma cópia direta ou pelo menos bem antiga das Cartas de Santa Clara à princesa clarissa de Praga.

1974
Inês de Praga é beatificada pelo Papa Pio IX.


1989
12/11 - Inês é canonizada, em Roma, pelo Papa João Paulo II.

17/11 – Fim da “Revolução do Veludo”, que significou a libertação da Tchecoslováquia (Que em 1993 se dividiu em República Tcheca e Eslováquia) do regime totalitário. Muitos veem neste fato a intercessão de Santa Inês, recém canonizada



































FONTES:
http://inesdepraga.blogspot.com/
http://www.cademeusanto.com.br/santa_ines_praga.htm
http://inesdepraga.blogspot.com/p/cronologia-de-santa-ines-de-praga.html
http://catholicteen15.blogspot.com/2012/03/st-agnes-of-bohemia.html

domingo, 4 de março de 2012

SÃO JOÃO JOSÉ DA CRUZ - RELIGIOSO FRANCISCANO - 05 DE MARÇO





Nasceu na ilha de Ischia com o nome de Carlos Caetano Calosirto, aos 15 de agosto de 1654, na cidade de Ponte, Itália, filho do nobre José e de Laura.






Recebeu os ensinamentos básicos e os alicerces religiosos freqüentando os colégios dos padres agostinianos, na própria ilha.

Aos quinze anos optou pela vida religiosa pela grande vocação que sentia, ingressando na Ordem dos Franciscanos descalços da Reforma de São Pedro de Alcântara, conhecidos também como alcantarinos, pela austeridade das Regras dessa comunidade, dependentes do convento de Santa Lucia, em Nápolis.



Tomou o nome de João José da Cruz e fez o noviciado sob a orientação monástica do padre José Robles.

Em 1671 foi enviando com mais onze sacerdotes, dos quais ele era o mais jovem, para o Piedimonte d'Alife para construírem um convento.








Diante das dificuldades encontradas no local não exitou em juntar as pedras com suas próprias mãos, depois usando cal, madeira e um enxadão fez os alicerces.

 Estimulando assim os outros sacerdotes e o povo, que no começo acharam que ele era louco, mas, percebendo que estavam errados começaram a ajuda-lo, de modo que um grande convento foi edificado em pouco tempo.






João José da Cruz ordenou-se sacerdote em 1677.

 
Ao completar vinte e quatro de idade foi nomeado mestre dos noviços e, quase ao mesmo tempo, guardião da ordem do convento.

Durante a sua permanência em Piedimonte, construiu, num local isolado na encosta do bosque, um outro pequeno convento chamado de "ermo", ainda hoje meta de peregrinações, para poder rezar em retiro.

Conseguiu ainda, trabalhando de forma muito ativa e singular, construir o convento do Granelo em Portici, também em Nápolis.



João José da Cruz era muito austero, comia pouco, só uma vez ao dia, dormia poucas horas, tinha o hábito de se levantar a meia noite para agradecer a Deus pelo novo dia.

Tornou-se famoso entre o povo por sua humildade e foi venerado ainda em vida pela população por causa de sua extrema dedicação aos pobres e doentes.

Fazia questão de ser pobre na vida e na própria personalidade, como São Francisco de Assis, seu modelo de vida.




Saint John Joseph Of The Cross

Em 1702 foi nomeado vigário provincial da Reforma de São Pedro de Alcântara, na Itália.

Assim a Ordem, abençoada por Deus, desceu de Norte a Sul, adquirindo um bem espiritual tão grande que chegou ao Vaticano, o qual tornou a reunir os dois ramos dos alcantarinos.









Dessa forma o convento de Santa Lúcia voltou para os padres italianos e João Jose da Cruz retornou para lá.

 Nele viveu mais doze anos na santa austeridade e, segundo os registros da Igreja e a tradição, realizando prodígios e curas para seus amados pobres e doentes.






O Senhor lhe deu vários dons de milagres, como a bilocação, o dom da profecia, o de leitura dos corações, de levitação, aparições de Nossa Senhora e Jesus Criança, milagres como a ressurreição do Marquês Espada Gennaro, foi visto passando nas ruas de Nápoles e flutuando com o pé acima do chão em êxtase completo.






Morreu no dia 05 de março 1734, sendo sepultado nesse mesmo convento.





Saint John Joseph Of The Cross

Foi beatificado pelo papa Gregório XVI, em 1839.

As relíquias de São João José da Cruz, foram transferidas para o convento franciscano da ilha de Ischia, onde nasceu, e é venerado no dia se sua morte.









No calendário da igreja é o Santo honrado 5 de março, enquanto as festas nas ruas de Ischia Ponte, são realizadas no primeiro domingo de Setembro, para os últimos quatro dias.

 Nestes dias de celebração, a igreja é decorada e celebram-se missas o tempo todo, a relíquia do santo é levada em procissão pelas ruas da cidade e no mar, onde o barco com a relíquia é seguido pelos pescadores.

 As festividades culminam com um show pirotécnico.




 
 



A relíquia do santo é levada em procissão
pelas ruas da cidade e no mar, onde o barco com a relíquia é seguido pelos pescadores.











A procissão percorre as ruas de Ischia










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Relicário levado em barco por pescadores





SENHOR,
ESCUTAI NOSSAS PRECES PELA INTERCESSÃO DE VOSSO SERVO,
SÃO JOÃO JOSÉ DA CRUZ!




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Assim, pois, qualquer um de vós que não renuncia a tudo o que possui não pode ser meu discípulo. (São Lucas 14,33)






 








Ó DEUS,
CONCEDEI-NOS PELAS PRECES DE SÃO JOÃO JOSÉ DA CRUZ,
A QUEM DESTES PERSEVERAR NA IMITAÇÃO DO CRISTO POBRE E HUMILDE, SEGUIR A NOSSA VOCAÇÃO COM FIDELIDADE E CHEGAR ÀQUELA PERFEIÇÃO QUE NOS PROPUSESTES EM VOSSO FILHO.
QUE CONVOSCO VIVE E REINA , NA UNIDADE DO ESPÍRITO SANTO.
AMÉM









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FONTES:

http://www.ischiamondoblog.com/blog/2008/09/
http://www.ischiaponte.org/sito/sangiovangiuseppe.htm
http://www.ischia.it/new/cultura/feste.php?comune=Ischia%
20Porto&id_festa=12&mese1=09&id_comune=1
http://www.portalangels.com/santo_do_dia/5marco.htm
http://es.wikipedia.org/wiki/Juan_Jos%C3%A9_de_la_Cruz









sábado, 3 de março de 2012

SÃO CASIMIRO - PRÍNCIPE PATRONO DA POLÔNIA - 04 DE MARÇO











São Casimiro, a força da pureza no combate pela Fé

Esse jovem Príncipe polonês tornou-se um exemplo de cavaleiro cristão,modelo de castidade e baluarte da Igreja contra o cisma russo e a heresia protestante



Detentor de merecidos títulos de grandeza terrena como Príncipe da Polônia e Rei natural da Hungria, São Casimiro foi, entretanto, maior ainda por sua inteira submissão à vontade de Deus.

Seguindo as pegadas de Nosso Senhor Jesus Cristo, procurou moldar sua alma segundo a fisionomia moral do Divino Redentor, tornando-se o primeiro santo jovem leigo da era dita moderna.



Foi ele o segundo dos 13 filhos que teve Casimiro IV (1427-1492), Duque da Lituânia e Rei da Polônia, com a Princesa austríaca Elisabeth de Habsburgo, filha de Alberto II, Imperador do Sacro Império Romano Alemão.

Casimiro nasceu em 3 de outubro de 1458, no castelo de Wawel, em Cracóvia.



Para a educação de seus filhos, Casimiro IV nomeou o polonês João Dlugosz (1415-1480), Cônego de Cracóvia, que se distinguia por grande saber e provada virtude.







QUADRO:Prince Saint Casimir and Długosz 1873







Era costume na época colocar os príncipes sob a influência de professores filiados a correntes renascentistas.

Por isso o jovem Príncipe Casimiro, que teve como mestre o italiano Filippo Bonaccorsi, cognominado Calímaco, o qual ensinou-lhe latim e retórica.

Esse mestre passou a chamar o discípulo jovem divinizado, por causa de suas virtudes.



Visando sujeitar seu corpo às leis do espírito, Casimiro utilizava-se do cilício e da disciplina, jejuava e dormia em dura terra, em meio ao ambiente de frivolidade que as cortes renascentistas criavam.

Com isso sua alma desprendia-se dos prazeres fáceis da vida mundana, evolando para celestes grandezas da perfeição cristã.



Contemplação dos mistérios da Paixão: fonte de fortaleza


A paz interior de sua alma manifestava-se na louçania e serenidade do seu semblante, afeito à contemplação.

Mesmo com as ocupações inerentes ao seu alto cargo, não se esquecia que, além dos deveres de estado, mais ainda devia zelar pela honra do Divino Salvador, que padeceu cruéis sofrimentos por amor aos homens.






Sua alegria consistia em estar junto ao Sacrário para adorar Aquele que é o Soberano absoluto de todos os corações, tanto dos reis quanto dos súditos.

Por isso, entrando nas igrejas, ajoelhava-se diante de Jesus Sacramentado, esquecendo-se de tudo quanto era terreno.

Passava aí muitas horas da noite na contemplação dos mistérios da Paixão.

Muitas vezes, não continha as lágrimas ao contemplar o Divino Crucificado, considerando as ofensas por Ele suportadas, ao mesmo tempo em que ardia em desejos de repará-las.

 Seu rosto ficava então inundado por uma luz sobrenatural.





Tinha muita caridade para com os necessitados de qualquer espécie: amparava os fracos, encorajava os oprimidos e levava o bálsamo de uma palavra cheia de afeto aos prisioneiros, enfermos e angustiados.



Se assim procedia em relação aos desvalidos, seu trato na Corte era igualmente exímio. Tinha tal aptidão para os estudos, que, aos 13 anos, proferiu primoroso discurso em latim, saudando o Legado Pontifício. Dois anos depois, com mesmo talento, homenageou o embaixador veneziano.



Baluarte contra o cisma russo e a heresia protestante




A pedido de seus partidários húngaros, esse casto e valente Príncipe, com apenas 13 anos de idade, em 2 de outubro de 1471 precisou armar-se como um verdadeiro guerreiro para conquistar a coroa de Santo Estevão, à frente de um exército de 12 mil homens.

Não lhe faltavam, por parte de sua mãe, os títulos dinásticos para depor o então Rei da Hungria.



Do trono de São Pedro, Sixto IV, vendo que o perigo turco ameaçava a Cristandade européia, interveio no sentido de serenar os ânimos, evitando assim a dispersão das forças cristãs em lutas intestinas.



Mesmo tendo se submetido ao apelo do Papa, São Casimiro conservou o título de "senhor natural por direito de nascimento do reino de Hungria".



Em suas terras, lutou valentemente para que a verdadeira Igreja fosse favorecida.

Atacou duramente as heresias e os movimentos subversivos da época, tendo mesmo estabelecido um pacto de defesa anti-turca com os Estados italianos.



Após a morte de Sixto IV, São Casimiro tornou-se inquebrantável escudo da verdadeira ortodoxia contra as heresias provindas da pseudo-reforma protestante e dos erros da igreja cismática russa.

Acompanhou sempre seu pai na administração do reino bem como nas viagens que este empreendeu a reinos vizinhos.

Por saber o latim, seu pai o utilizou em Danzig como intérprete no encontro que manteve com o Rei sueco Cristiano.



Aquela foi uma época em que se verificavam muitos confrontos do Rei polonês com os senhores feudais revoltados.

Além disso, ferrenhos combates foram travados com os Cavaleiros da Ordem Teutônica, já em franca decadência, que foram obrigados a assinar um tratado de paz com o Reino polonês, mediante o qual cederam a este a Prússia Ocidental.



Fiel ao voto de castidade, não temeu a morte


Em 1483 ocupou-se da administração dos Ducados da Lituânia, preocupando-se sempre com o bem dos súditos.



Nessa ocasião que seu pai manifestou-lhe o desejo de que ele se casasse com a filha do Imperador alemão Frederico III.

Tendo São Casimiro contraído tuberculose, os médicos julgavam que o casamento o curaria, pois acreditavam que a vida austera do jovem Príncipe era a causa da doença.

Singular constatação! São Casimiro, porém, preferiu permanecer fiel a seu voto de castidade perfeita.



A tuberculose na época era uma doença incurável.

Assim a moléstia agravou-se rapidamente e sua morte não tardou.

Com os olhos postos numa imagem do Crucificado e invocando Maria Santíssima, ele a enfrentou com a serenidade de alma própria aos santos.



Recebeu com devoção os santos sacramentos, e em 4 de março de 1484 entregou sua alma ao Criador.

Suas últimas palavras, depois de oscular com amor o crucifixo, foram:

"Em vossas mãos, ó Jesus, entrego o meu espírito".

 Sua alma, segundo testemunhas, subiu ao Céu em meio a grande luminosidade.



Corpo incorrupto e perfume: imagens de castidade perfeita



A morte o colheu aos 25 anos, em Gardinas, mas seu corpo foi enterrado na catedral de Vilnius, capital da Lituânia, na capela dedicada a Nossa Senhora.



O primeiro biógrafo do santo foi Zacarias Ferreri, enviado à Polônia a mando do Papa Leão X, para coletar dados sobre a vida de Casimiro, cuja santidade já era conhecida e confirmada por muitos milagres.

 Entre estes, destacam-se a cura de doentes incuráveis e a ressurreição de uma menina, natural de Vilnius.



O mesmo Papa Leão X canonizou São Casimiro em 1521.



Em 6 de agosto de 1604 -- para gáudio e edificação dos fiéis católicos e glória de São Casimiro -- sua sepultura foi aberta na presença de várias testemunhas.

Devido a um milagre, seu corpo encontrava-se inteiramente incorrupto.

As roupas também estavam intactas, apesar da umidade existente. Como admirável símbolo de sua castidade, o corpo exalava um agradável perfume.

Encontrou-se também em seu peito o hino Omni die dic Mariae laudes animae [Minha alma, cada dia, dirija um canto a Maria], um dos mais belos cânticos da Idade Média, dedicado à Virgem Santíssima (Acta Sanctorum, Martii I, Parisiis, 1865).



Seu nome é glorificado no calendário litúrgico em 4 de março, quando, segundo velho costume, milhares de fiéis vão venerar suas preciosas relíquias em Vilnius.



Em 1943 o Papa Pio XII proclamou São Casimiro Patrono principal da juventude lituana em qualquer parte do mundo.

É também Padroeiro da Polônia.



Admirável na Terra, mais ainda no Céu


São famosas, ainda, as aparições de São Casimiro.



A primeira deu-se no ano de 1518 quando um grande exército moscovita estava prestes a dominar a cidade de Polotsk, baluarte na defesa da Lituânia, situada na confluência dos rios Dauguva e Palata.

O fogoso exército lituano, composto de dois mil homens partiu intrépido para socorrê-la.



Entretanto o transbordamento do rio Dauguva impedia que eles alcançassem o inimigo, postado à outra margem.

O que fazer?

 Enquanto estavam nesse impasse, os lituanos viram surgir um jovem cavaleiro montado em corcel branco, convidando-os a segui-lo rumo à outra margem.



Impelidos pelo entusiasmo, os lituanos seguiram o valente cavaleiro, e atravessando o rio num lugar propício atacaram os moscovitas, alcançando brilhante vitória.

O cavaleiro da veste alva desapareceu como por encanto.

 Mas todos reconheceram nele São Casimiro, seu protetor.



Outra aparição ocorreu em 1654 ao comandante russo Sermetjev, que ocupara a cidade de Polotsk e transformara a igreja em estábulo.

 O Santo apareceu-lhe, increpando-o de tentar a Deus, que o puniria de modo exemplar.



As aparições de São Casimiro tornaram-se um símbolo da luta contra Moscou e a propagação da igreja cismática russa.

Por esse motivo a Rússia czarista votava um ódio implacável ao Santo, cerceando-lhe o culto de todos os modos.



Uma frase em latim, alusiva a São Casimiro bem sintetiza a extraordinária vida do jovem Príncipe polonês neste mundo e sua gloriosa atuação após ter alcançado a bem-aventurança eterna: "Casimiro, admirável na Terra, mais admirável ainda no Céu".









Ó DEUS ,
QUE, ENTRE OS ATRATIVOS DA CÔRTE E AS SEDUÇÕES DO MUNDO,
CONSOLIDASTES ADMIRAVELMENTE NA VIRTUDE O BEM-AVENTURADO CASIMIRO, CONCEDEI-NOS, POR SUA INTERCESSÃO,
A GRAÇA DE DESPREZARMOS TAMBÉM OS BENS DA TERRA
E DE ASPIRAR APENAS AOS DOCÉU.
POR NOSSO SENHOR.
AMÉM

















. No dia 4 de março de 1484, o jovem de 26 anos faleceu em Grodno, de tuberculose pulmonar. No ano de 1604, o túmulo foi aberto porque seus restos mortais seriam transladados para a Igreja que Sigismundo III mandara construir. Aberta a tumba, encontraram seu corpo intacto, como se o santo estivesse apenas adormecido e, entre as mãos, este hino dedicado à Virgem Santíssima:














A cada dia, ó minh´alma, rende homenagens a Maria,






Soleniza suas festas e celebra suas virtudes resplandecentes;






Proclama e admira a elevação de sua alma a Deus;






Proclama a sua felicidade, como Mãe e como Virgem;






Honra-a para que ela te libere do peso de teus pecados;






Invoca-a para não seres arrastado pela torrente das paixões;






Eu bem sei; ninguém é capaz de, dignamente, honrar Maria;






Insensato é, pois, aquele que se cala sobre os seus louvores;






Todos os homens devem exaltá-la e louvá-la de forma especial,






E jamais devemos nos abster de venerá-la e de invocá-la;






Ó Maria, a honra e a glória de todas as mulheres,






Vós que fostes elevada por Deus acima de todas as criaturas;





Ó Virgem misericordiosa, atendei as preces daqueles que não vos louvam insistentemente;






Purificai os culpados e tornai-os dignos de todos os bens celestes;






Salve, ó Virgem Santa, vós, por meio de quem as portas do Céu foram abertas aos miseráveis,






Vós que jamais fostes seduzida pelas artimanhas da serpente;






Vós, a reparadora, a consoladora das almas em desespero,






Preservai-nos dos males que se abaterão sobre os perversos;






Rogai a Deus por mim, para que eu possa usufruir da paz eterna,






E que eu não tenha a infelicidade de ser prisioneiro das chamas do pântano de fogo;






Rogai para que eu seja casto e modesto, doce, bom, sóbrio, piedoso, prudente, correto e inimigo da mentira;






Obtende para mim, a mansidão e o amor pela harmonia e pela pureza;






Tornai-me firme e constante no caminho do bem.








ALTAR - TÚMULO DE SÃO CASIMIRO
CATEDRAL DE VILNIUS






RELICÁRIO DE SÃO CASIMIRO



CATEDRAL DE VILNIUS, LITUÂNIA.