quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Santa Margarida da Hungria -18 de Janeiro




De uma família santa e de bons princípios, era sobrinha-neta de Santa Edviges, sobrinha de Santa Isabel da Hungria, irmã mais nova de Santa Cunegunda e da Beata Iolanda.
Era a oitava e mais nova filha do casal real. Este, na altura do seu nascimento, vivia no exílio, na Croácia, devido às invasões mongóis (1241–1242). 

Aconteceu que seus pais fizeram promessa de que o seu país ficasse livre, a sua filha seria religiosa. 

Daí logo cedo, aos quatro anos de idade, em 1245, entrou no Convento dominicano de Veszprém.
Seis anos mais tarde mudou-se para um convento, que os seus pais fundaram, no rio Danúbio, em Nyulak szigete, junto de Budapeste (hoje chamada Ilha de Margarida, em sua homenagem). 

Ali viveu toda a sua vida, com grande devoção religiosa, e recusando as tentativas de seu pai para que se casasse com o rei Otokar II da Boêmia.


DETALHES:

     O ano de 1241 foi um ano dificílimo para a Polônia e a Hungria. O tártaro Ogotai tinha a intenção de conquistar o mundo inteiro. Venceu os polacos em Liegnitz e a seguir invadiu a Hungria. O Rei Bela IV e seus homens lutaram heroicamente, o que não impediu que o rei tivesse que se refugiar junto ao Mar Adriático, na costa oriental.
     Foi então, no Castelo de Ulissa, que nasceu, na primavera de 1242, Santa Margarida da Hungria, décima filha dos soberanos. Margarida foi batizada ao ar livre, na Ilha de Trau, por um dos poucos bispos húngaros sobreviventes - um terço da população tinha perecido. 








Quando Margarida nasceu, seus pais prometeram consagrá-la a Deus se Ele lhes concedesse a vitória. Suas orações foram ouvidas e Margarida, aos três anos de idade, foi confiada ao convento das religiosas de São Domingos, de Veszprem.

     O Rei e sua esposa, a Rainha Maria Lascaris, construíram um convento em uma ilha do Danúbio, próximo de Budapeste, onde Margarida, com apenas doze anos de idade, fez sua profissão diante do Beato Humberto de Romans.






...mudou-se para um convento, que os seus pais fundaram, no rio Danúbio, em Nyulak szigete, junto de Budapeste (hoje chamada Ilha de Margarida, em sua homenagem). Ali viveu toda a sua vida...





     Bela IV recebeu o título de "campeão da cristandade" e foi descrito como "o último gênio dos Arpádios". As qualidades de Margarida provam que ela havia herdado as qualidades extraordinárias de seu pai; sua nobre linhagem realça mais os detalhes de sua extraordinária vida de abnegação. 

A Ordem de São Domingos tomou o cuidado de guardar a memória de uma de suas primeiras e mais ilustres filhas.

     Parece que Margarida era excepcionalmente bela. Aos 16 anos, o Arcebispo de Esztergom comunicou-lhe que o Papa Alexandre III a dispensava do voto dos pais, caso fosse de interesse da nação que ela se casasse. Com efeito, o Rei Otokar, da Boêmia, desejou sua mão após tê-la visto com hábito de religiosa.



     Margarida, porém, estando acompanhada da prioresa declarou: 

"Honras-me sobremaneira, rei valente e poderoso, ao desejares que seja tua mulher, e está muito longe de mim desprezar a vocação de esposa. Mas como poderia fazê-lo, tendo presente o exemplo da bem-aventurada Virgem Maria, como também a dedicação da minha própria mãe querida, de quem sou a décima filha? Mas eu não nasci para ser esposa e mãe. 

A minha tarefa é completamente diversa. Por isso peço que te vás embora sem te zangares, e busca para ti uma esposa que possa fazer-te ditoso. Eu, ó rei, não poderia fazer-te feliz".


     Por sua vez, Carlos de Anjou também planejou obter sua mão e recebeu igual negativa.

     Como a maioria das religiosas do convento pertencia à nobreza, a princesa Margarida era tratada com especial consideração. Ao perceber isso, ela procurou escolher sempre os trabalhos mais humildes, repugnantes e tediosos. Cuidava dos doentes que padeciam os males mais repulsivos.

     Por uma graça excepcional, uma cópia completa dos testemunhos do processo de beatificação de Santa Margarida, iniciado menos de sete anos depois de sua morte, chegou até nossos dias. Cerca de cinquenta de suas companheiras falaram sobre a mortificação e a caridade de Margarida nesse processo. 

Ao lermos esses depoimentos, ficamos plenamente convencidos que o seu valor na luta contra o mundo e a carne exerceu uma profunda influência nos que a rodeavam.

     Os relatos que as Irmãs fizeram sobre ela apresentam também pormenores humanos e agradáveis. A sacristã conta que Margarida acariciava sua mão e lhe prodigalizava todos os agrados possíveis para que ela deixasse a porta da capela aberta durante a noite, a fim de passar diante do Santíssimo Sacramento as horas que devia consagrar ao descanso.



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 Margarida tinha uma confiança ilimitada na oração e seus pedidos a Deus tinham algo de imperioso. 

Várias religiosas contam algo acontecido quando a Santa tinha apenas dez anos.
     Dois frades dominicanos tinham ido visitar o convento e Margarida pediu que eles permanecessem mais tempo. Eles responderam que tinham que partir imediatamente. 

A menina lhes disse: - "Vou obter que Deus faça chover de tal forma, que não podereis ir embora". Embora os frades dissessem que não haveria chuva que os detivesse, Margarida foi para a capela para rezar. 

A tormenta que desabou em seguida foi tão violenta, que impediu os frades de partirem.

     Este episódio lembra o famoso caso ocorrido com Santa Escolástica e São Bento. As companheiras de Santa Margarida atestam sob juramento tantos casos do mesmo tipo, que se torna difícil atribuí-los a simples coincidência.

     Uma Quinta-feira Santa, Margarida não só lavou os pés das setenta religiosas do coro do convento, como também de todas as serviçais.

 A Santa havia passado a Quaresma em duras penitências, o que tornava tal ação bem exaustiva. 

Entretanto, ela apenas comentou que aquele tinha sido o dia mais curto do ano, pois não tinha tido tempo nem de rezar nem de praticar todas as penitências que desejaria.

File:Molnár Árpádházi Margit halála 1857.jpg




     O dia 18 de janeiro de 1270 parece ter sido a data de seu falecimento, quando tinha apenas vinte e oito anos. 

O processo de sua beatificação nunca foi concluído, mas o culto de Santa Margarida foi aprovado em 1789. 

A canonização ocorreu em 1943.








Tumulo de Santa Margarida da Hungria na Iha de Margarida, onde ela viveu.

A sua sepultura se tornou meta de peregrinação, pelas sucessivas graças e milagres atribuídos à sua intercessão. 

 As relíquias de Margarida tinham sido transferidas, por causa da invasão turca, do convento da Ilha das Lebres para o de Presburgo em 1618.





Em 1261, tomou o véu definitivo, entregando seu coração e sua vida a serviço do Senhor, tendo uma particular devoção pela Eucaristia e Paixão de Cristo. 

Ela realmente, era especial, foi um exemplo de humildade e virtude para as outras religiosas. 

Rezava sempre, e fazia penitencias, se oferecendo como vítima proposital, para a salvação do seu povo. 





Margarida, não desejou ter uma cultura elevada. Sua instrução se limitou ao conhecimento primário da escrita e da leitura, talvez apenas um pouco mais que isto. 

Ela pedia que lhe lessem as Sagradas Escrituras e confiava sua direção espiritual ao seu confessor, o dominicano Marcelo, que era o superior da Ordem.



Possuía um ilimitado desapego às coisas materiais, amando plenamente a pobreza, o qual unido à sua vida contemplativa espiritual, a elevou a uma tal proximidade de Deus, que recebeu o dom das visões. 

Ela se tornou uma das grandes místicas medievais da Europa, respeitada e amada pelas comunidades religiosas, pela corte e população.





Ó Deus, 

que nos destes em Santa Margarida
um testemunho de perfeição evangélica, 
fazei-nos em meio
às agitações deste mundo, 
fixar o coração nos bens eternos.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo
vosso filho, 
na unidade do Espírito Santo 
Amém!




Santa Margarida da Hungria, 
rogai por nós!






Santa Maria Madalena, S. Pedro Martir, Santa Catarina de Sena e Santa Margarida da Hungria



























domingo, 5 de janeiro de 2014

CALENDÁRIO DE JANEIRO











01 - SANTA MARIA MÃE DE DEUS:
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SANTO FULGÊNCIO;

SÃO VICENTE MARIA.

SÃO TELÊMACO (OU ALMACHIO):

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02 - SÃO BASÍLIO MAGNO:

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 SÃO GREGÓRIO NAZIANZO:
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03 - SANTA GENOVEVA, VIRGEM:
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04 - SANTA ÂNGELA DE FOLIGNO, VIRGEM:
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05 - SÃO SIMÃO ESTELITA:
http://santossanctorum.blogspot.com/2011/01/sao-simeao-estilita-05-de-janeiro.html




06  - SANTOS REIS MAGOS:
http://rezairezairezai.blogspot.com/2012/01/os-tres-reis-magos.html




07 - SÃO RAIMUNDO PENYAFORT, PRESBÍTERO:
http://santossanctorum.blogspot.com/2012/01/sao-raimundo-de-penyafort-ou-penafor-ou.html




08 - SANTA GUDULA, VIRGEM:
http://santossanctorum.blogspot.com/2012/01/santa-gudula-08-de-janeiro-padroeira-de.html
SÃO SEVERINO

SÃO PEDRO TOMÁS

09 - SANTO ADRIANO
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SANTO ANDRÉ CORSINI


10 - SÃO GREGÓRIO X
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SÃO GUILHERME DE BOURGES


11 - SANTO HIGINO
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SÃO TEODÓSIO; 
SÃO TOMAS DE CORI


12 - SANTO ARCÁDIO
http://santossanctorum.blogspot.com.br/2014/01/santo-arcadio-martir-12-do-janeiro.html

SÃO JOÃO DE RAVENA








13 - SANTO HILÁRIO DE POITIERS:
http://santossanctorum.blogspot.com/2012/01/santo-hilario-de-poitiers-13-de-janeiro.html
BEM-AVENTURADA VERÔNICA DE BINASCO



14 - SÃO FÉLIX DE NOLA, MÁRTIR:
http://santossanctorum.blogspot.com/2012/01/sao-felix-de-nola-14-de-janeiro.html

BEM-AVENTURADO PEDRO DONDERS

15- SANTO AMARO, ABADE:
http://santossanctorum.blogspot.com/2011/01/santo-amaro-ou-sao-mauro.html


- SÃO PAULO, O EREMITA OU SÃO PAULO DE TEBAS:
http://santossanctorum.blogspot.com/2012/01/sao-paulo-o-eremita-ou-sao-paulo-de.html



16 - SÃO MARCELO, PAPA E MÁRTIR:
http://santossanctorum.blogspot.com/2012/01/sao-marcelo-papa-e-martir-padroeiro-dos.html


17 - SANTO ANTÃO, ABADE:
http://santossanctorum.blogspot.com/2012/01/santo-antao-ou-antonio-abade-ou-antonio.html



18 - SANTA PRISCA OU PRISCILA:
http://santossanctorum.blogspot.com/2012/01/santa-prisca-priscila-virgem-e-martir.html


19 - SÃO CANUTO, REI E MÁRTIR:
http://santossanctorum.blogspot.com/2012/01/sao-canuto-padroeiro-da-dinamarca-19-de.html


20 - SÃO SEBASTIÃO, MÁRTIR:
http://santossanctorum.blogspot.com/2011/01/sao-sebastiao.html


- SÃO FABIÃO OU FABIANO:
http://santossanctorum.blogspot.com/2012/01/sao-fabiao-ou-fabiano-papa-20-de.html





21 - SANTA INÊS, VIRGEM E MÁRTIR:
http://santossanctorum.blogspot.com/2011/01/santa-ines-21-de-janeiro.html


22 - SÃO VICENTE, DIÁCONO E MÁRTIR,  E SANTO ANSTÁCIO:
http://santossanctorum.blogspot.com/2011/01/sao-vicente-e-santo-anastacio.html


23 - SANTA EMERECIANA , VIRGEM E MÁRTIR:
http://santossanctorum.blogspot.com/2011/01/santa-emereciana-23-de-janeiro.html
SANTO ILDEFONSO


24 - SÃO FRANCISCO DE SALES, BISPO E DOUTOR DA IGREJA:
http://santossanctorum.blogspot.com.br/search/label/S%C3%83O%20FRANCISCO%20DE%20SALES


25 - CONVERSÃO DE SÃO PAULO, APÓSTOLO:
http://santossanctorum.blogspot.com/2011/01/conversao-de-sao-paulo-festa-25-de.html



26 - SÃO TIMÓTEO :
http://santossanctorum.blogspot.com/2011/01/sao-timoteo-26-de-janeiro.html


SÃO TITO:

http://santossanctorum.blogspot.com.br/search/label/S%C3%83O%20TITO


27 - SANTA ANGELA DE MÉRICI, VIRGEM:
http://santossanctorum.blogspot.com/2011/01/santa-angela-de-merici-ou-de-brescia.html




28 - SÃO TOMÁS DE AQUINO, PRESBÍTERO E DOUTOR DA IGREJA:
http://santossanctorum.blogspot.com/2011/01/sao-tomas-de-aquino-28-de-janeiro.html




29 - SANTA CONSTÂNCIA :
http://santossanctorum.blogspot.com.br/2012/01/santa-constanca-ou-constance-29-de.html

SÃO VALÉRIO DE TREVIRI

SÃO GILDAS, O SÁBIO

30 - SANTA MARTINHA, VIRGEM E MÁRTIR:
http://santossanctorum.blogspot.com/2011/01/santa-martinha.html
SANTA JACINTA MARISCOTTI


31 - SÃO JOÃO BOSCO, PRESBÍTERO:
http://santossanctorum.blogspot.com/2011/01/sao-joao-bosco.html






SANTO ADRIANO - 09 DE JANEIRO








Santo Adriano
(+710)


Santo Adriano nasceu no ano 635 no norte da África e foi batizado com o nome de Hadrian. Tinha apenas cinco anos de idade quando sua família imigrou para a cidade italiana de Nápolis, pouco antes da invasão dos árabes. 




Lá estudou no convento dos beneditinos de Nerida, onde se consagrou sacerdote.


Adriano se tornou um dedicado estudante da Sagrada Escritura, profundo conhecedor de grego e latim, professor de ciências humanas e teologia. A fama de sua capacidade e conhecimento chegou ao papa Vitalino que o nomeou como um dos seus conselheiros.





Quando morreu o bispo da Cantuária, Inglaterra, o papa Vitalino convidou Adriano para assumir aquele cargo, mas ele recusou-se, alegando não ter suficiente competência para ocupar esse posto. O papa lhe pediu para que indicasse alguém mais competente, pois ele mesmo tinha conhecimento.

Neste tempo Adriano havia se encontrado com seu grande amigo, o teólogo grego e monge beneditino Teodoro de Tarso que estava em Roma. Adriano o indicou ao papa Vitalino. Teodoro estava disposto a aceitar, mas somente se Adriano concordasse em ir para a Inglaterra ajudá-lo na missão de Evangelização. Adriano aceitou de imediato. O papa consagrou Teodoro, bispo da Cantuária e nomeou Adriano seu assistente e conselheiro, em 668.

Chegou na Inglaterra um ano depois, pois foi detido durante a viagem, na França sob suspeita que tinha uma missão secreta do imperador Constantino II, para os reis ingleses, mas foi solto ao atestarem a sua integridade de sacerdote.

Adriano e Teodoro foram evangelizadores altamente bem sucedidos, junto ao povo inglês cuja maioria era pagã. 


O bispo Teodoro, logo colocou Adriano como abade do convento beneditino de São Pedro, depois chamado de Santo Agostinho, na Cantuária. 






Sob sua liderança, esta escola se tornou um centro de aprendizagem e formação de clérigos para a Igreja dos povos anglicanos.

Adriano viveu neste país durante trinta e nove anos, totalmente dedicados ao serviço da Igreja. Os ingleses viram nele um pastor cheio de sabedoria e piedoso, um verdadeiro missionário e instrumento de Deus. Muitos se iluminaram com os seus exemplos de vida profundamente evangélica.

Morreu aos 9 de janeiro de 710, foi enterrado no cemitério daquele convento, na Inglaterra.
Em 1091, o seu corpo foi encontrado incorrupto e trasladado para a cripta da igreja do mesmo convento.
Adriano foi proclamado Santo pela Igreja, que o festeja no dia de sua morte.













Fontes:

http://www.cbcpnews.com/cbcpnews/?p=10975
http://en.wikipedia.org/wiki/Adrian_of_Canterbury
http://www.derradeirasgracas.com/3.%20Os%20Santos%20do%20Dia/Santos%20do%20M%C3%AAs%20de%20Janeiro/09-01%20Santo%20Adriano%20.htm
http://ourcatholiclifeofgrace.blogspot.com.br/2011/01/st-adrian-of-canterbury.html
http://www.digplanet.com/wiki/Adrian_of_Canterbury

sábado, 4 de janeiro de 2014

SANTO ARCÁDIO, MÁRTIR - 12 DE JANEIRO


                                               
                                             

  No ano 260, a Igreja de Cristo passou por uma época de perseguições atrocíssimas. 

O furor do inferno parecia desencadeado, e insaciável era o ódio contra os discípulos de Jesus. A menor suspeita  era bastante para os cristãos se verem vexados da maneira a mais cruel. As casas eram arrombadas, os bens confiscados e as pobres vítimas desapiedadamente arrastadas ao tribunal. Cada dia era testemunha de novas barbaridades. 

Na Mauritânia os cristãos eram forçados a assistir ao culto pagão, queimar incenso aos deuses, conduzir em triunfo pelas ruas das cidades os animais destinados aos holocaustos e tomar parte nas bacanais dissolutas dos idólatras.
                                            
Eram estes os meios com que se esperava fazer os cristãos apostatarem.
                                              
 Arcádio, vendo estas abominações se realizarem em Cesaréia, sua cidade paterna, fugiu para não se expor ao perigo de fraquear e retirou-se para um lugar ermo, onde serviu a Deus em orações e obras de penitência.
                                            
Como, porém, fosse cidadão de destaque, essa fuga não podia ficar desaparecida. 

Notou-se-lhe a falta nos sacrifícios e o prefeito mandou soldados, que o trouxessem. 

Achando fechada a casa de Arcádio, arrombaram a porta, julgando talvez surpreendê-lo em algum ato religioso, que o comprometesse. 

Em vez de Arcádio, encontraram-lhe um parente, que por acaso lá se achava. Este procurou todas as razões para justificar a ausência de Arcádio. Em vão. 

Os emissários prenderam-no e levaram-no à presença do prefeito. Este deu ordem para que ficasse detido na prisão até que se resolvesse a denunciar a paradeiro do parente.
                                               
Quando o Santo soube do ocorrido, voltou livremente para a cidade e apresentou-se ao juiz.

 “Eis-me aqui – disse-lhe – se me procuras a mim, põe em liberdade o inocente. 

Cá estou, para te responder ao que de mim desejas saber”. Respondeu o juiz: 

“De bom grado desculpo a tua fuga e garanto-te que para o futuro nenhum vexame sofrerás, contanto que, embora tarde, ainda sacrifiques aos deuses”. 

Arcádio: “Que idéia fazes de mim, propondo-me tal coisa? Conheces os cristãos? 

Pensas que intimidas os servos do Senhor com a expectativa de perder esta vida fugitiva, ou com ameaças de morte? 

Sabemos que está escrito: Cristo é minha vida e a morte meu lucro. Vai, excogita tormentos que ultrapassem todas as dores, exercita teu cérebro na invenção de todas as maldades possíveis: jamais nos separarás do Deus verdadeiro”.

                                              
 Chegou ao auge o furor do juiz, que em nada mais pensava senão ditar para Arcádio uma sentença de morte de todo extraordinária.

 Toda a sorte de martírios, até então aplicados, pareciam-lhe suaves para este provocador blasfemo. 


Finalmente rompeu o silêncio, dando a seguinte ordem: 

“Que Arcádio tenha uma morte lenta e cruel. Cortai-lhe todas as articulações, todas as juntas do corpo, começando pelos dedos. 

Não vos precipiteis no vosso trabalho, tendes muito tempo; assim ele compreenderá sua miséria; compreenderá o que significa abandonar os deuses de seus pais e adorar uma divindade desconhecida”.














Os algozes meteram-se logo à obra e executaram ao pé da letra a horrível sentença.

 O mártir de vez em quando rezava: “Ó meu Deus, ensinai-me vossa sabedoria!”

 Quando os carrascos nada mais tinham para cortar, restando apenas o tronco banhado em sangue, o herói, vendo todos os membros cortados, exclamou: 

“Felizes de vós, bem-aventurados membros, que tivestes a honra de servirdes ao vosso Deus! Nunca me fostes tão caros, quando unidos ao meu corpo, como agora. Regozijo-me de ver-vos  separados de mim! Assim convém que por algum tempo estejamos separados, para depois podermos ir ao encontro de nosso rei na eterna glória. 

Em vez de mortais, me sereis restituídos como membros imortais, agora sois membros de Cristo, como sei que sou de Cristo e nisto vejo realizado meu único e ardente desejo”. 



 Dirigindo-se aos circunstantes, disse: 

“Pouco vale serdes testemunhas de um espetáculo tão pouco comum. Facilmente o suporta aquele que acredita na imortalidade futura. Abandonai os vossos deuses que em nada vos podem auxiliar. Reconhecei a meu Deus, que me fortalece. 



Morrer por ele é viver; sofrer por ele é gozar. A sua caridade não tem fim; sua honra cada vez mais aumenta. Meu sofrimento faz com que eu viva eternamente com ele sem jamais dele me separar”.

                                             


  Ditas estas palavras, entregou o espírito a Deus. 

Os próprios pagãos ficaram admirados da coragem e da paciência deste glorioso Mártir. 

Os cristãos louvaram a Deus, que dá força aos que o amam e lhe servem com toda a dedicação.

 Juntaram as relíquias do mártir e guardaram-nas com todo respeito.













Santo Arcádio consta somente no Martirológio Romano, o seu nome não aparece em nenhum do Oriente.

 Isto porque, o precioso documento do culto deste santo foi levado para Verona, pelo primeiro bispo desta diocese, chamado Zenon, de origem africana e nascido na cidade do mártir. 

Parece que ele trouxe consigo a Ata onde foi narrado o martírio de Arcádio e o difundiu entre os cristãos através dos seus sermões, logo no início de seu apostolado no território italiano.