domingo, 5 de janeiro de 2014

SANTO ADRIANO - 09 DE JANEIRO








Santo Adriano
(+710)


Santo Adriano nasceu no ano 635 no norte da África e foi batizado com o nome de Hadrian. Tinha apenas cinco anos de idade quando sua família imigrou para a cidade italiana de Nápolis, pouco antes da invasão dos árabes. 




Lá estudou no convento dos beneditinos de Nerida, onde se consagrou sacerdote.


Adriano se tornou um dedicado estudante da Sagrada Escritura, profundo conhecedor de grego e latim, professor de ciências humanas e teologia. A fama de sua capacidade e conhecimento chegou ao papa Vitalino que o nomeou como um dos seus conselheiros.





Quando morreu o bispo da Cantuária, Inglaterra, o papa Vitalino convidou Adriano para assumir aquele cargo, mas ele recusou-se, alegando não ter suficiente competência para ocupar esse posto. O papa lhe pediu para que indicasse alguém mais competente, pois ele mesmo tinha conhecimento.

Neste tempo Adriano havia se encontrado com seu grande amigo, o teólogo grego e monge beneditino Teodoro de Tarso que estava em Roma. Adriano o indicou ao papa Vitalino. Teodoro estava disposto a aceitar, mas somente se Adriano concordasse em ir para a Inglaterra ajudá-lo na missão de Evangelização. Adriano aceitou de imediato. O papa consagrou Teodoro, bispo da Cantuária e nomeou Adriano seu assistente e conselheiro, em 668.

Chegou na Inglaterra um ano depois, pois foi detido durante a viagem, na França sob suspeita que tinha uma missão secreta do imperador Constantino II, para os reis ingleses, mas foi solto ao atestarem a sua integridade de sacerdote.

Adriano e Teodoro foram evangelizadores altamente bem sucedidos, junto ao povo inglês cuja maioria era pagã. 


O bispo Teodoro, logo colocou Adriano como abade do convento beneditino de São Pedro, depois chamado de Santo Agostinho, na Cantuária. 






Sob sua liderança, esta escola se tornou um centro de aprendizagem e formação de clérigos para a Igreja dos povos anglicanos.

Adriano viveu neste país durante trinta e nove anos, totalmente dedicados ao serviço da Igreja. Os ingleses viram nele um pastor cheio de sabedoria e piedoso, um verdadeiro missionário e instrumento de Deus. Muitos se iluminaram com os seus exemplos de vida profundamente evangélica.

Morreu aos 9 de janeiro de 710, foi enterrado no cemitério daquele convento, na Inglaterra.
Em 1091, o seu corpo foi encontrado incorrupto e trasladado para a cripta da igreja do mesmo convento.
Adriano foi proclamado Santo pela Igreja, que o festeja no dia de sua morte.













Fontes:

http://www.cbcpnews.com/cbcpnews/?p=10975
http://en.wikipedia.org/wiki/Adrian_of_Canterbury
http://www.derradeirasgracas.com/3.%20Os%20Santos%20do%20Dia/Santos%20do%20M%C3%AAs%20de%20Janeiro/09-01%20Santo%20Adriano%20.htm
http://ourcatholiclifeofgrace.blogspot.com.br/2011/01/st-adrian-of-canterbury.html
http://www.digplanet.com/wiki/Adrian_of_Canterbury

sábado, 4 de janeiro de 2014

SANTO ARCÁDIO, MÁRTIR - 12 DE JANEIRO


                                               
                                             

  No ano 260, a Igreja de Cristo passou por uma época de perseguições atrocíssimas. 

O furor do inferno parecia desencadeado, e insaciável era o ódio contra os discípulos de Jesus. A menor suspeita  era bastante para os cristãos se verem vexados da maneira a mais cruel. As casas eram arrombadas, os bens confiscados e as pobres vítimas desapiedadamente arrastadas ao tribunal. Cada dia era testemunha de novas barbaridades. 

Na Mauritânia os cristãos eram forçados a assistir ao culto pagão, queimar incenso aos deuses, conduzir em triunfo pelas ruas das cidades os animais destinados aos holocaustos e tomar parte nas bacanais dissolutas dos idólatras.
                                            
Eram estes os meios com que se esperava fazer os cristãos apostatarem.
                                              
 Arcádio, vendo estas abominações se realizarem em Cesaréia, sua cidade paterna, fugiu para não se expor ao perigo de fraquear e retirou-se para um lugar ermo, onde serviu a Deus em orações e obras de penitência.
                                            
Como, porém, fosse cidadão de destaque, essa fuga não podia ficar desaparecida. 

Notou-se-lhe a falta nos sacrifícios e o prefeito mandou soldados, que o trouxessem. 

Achando fechada a casa de Arcádio, arrombaram a porta, julgando talvez surpreendê-lo em algum ato religioso, que o comprometesse. 

Em vez de Arcádio, encontraram-lhe um parente, que por acaso lá se achava. Este procurou todas as razões para justificar a ausência de Arcádio. Em vão. 

Os emissários prenderam-no e levaram-no à presença do prefeito. Este deu ordem para que ficasse detido na prisão até que se resolvesse a denunciar a paradeiro do parente.
                                               
Quando o Santo soube do ocorrido, voltou livremente para a cidade e apresentou-se ao juiz.

 “Eis-me aqui – disse-lhe – se me procuras a mim, põe em liberdade o inocente. 

Cá estou, para te responder ao que de mim desejas saber”. Respondeu o juiz: 

“De bom grado desculpo a tua fuga e garanto-te que para o futuro nenhum vexame sofrerás, contanto que, embora tarde, ainda sacrifiques aos deuses”. 

Arcádio: “Que idéia fazes de mim, propondo-me tal coisa? Conheces os cristãos? 

Pensas que intimidas os servos do Senhor com a expectativa de perder esta vida fugitiva, ou com ameaças de morte? 

Sabemos que está escrito: Cristo é minha vida e a morte meu lucro. Vai, excogita tormentos que ultrapassem todas as dores, exercita teu cérebro na invenção de todas as maldades possíveis: jamais nos separarás do Deus verdadeiro”.

                                              
 Chegou ao auge o furor do juiz, que em nada mais pensava senão ditar para Arcádio uma sentença de morte de todo extraordinária.

 Toda a sorte de martírios, até então aplicados, pareciam-lhe suaves para este provocador blasfemo. 


Finalmente rompeu o silêncio, dando a seguinte ordem: 

“Que Arcádio tenha uma morte lenta e cruel. Cortai-lhe todas as articulações, todas as juntas do corpo, começando pelos dedos. 

Não vos precipiteis no vosso trabalho, tendes muito tempo; assim ele compreenderá sua miséria; compreenderá o que significa abandonar os deuses de seus pais e adorar uma divindade desconhecida”.














Os algozes meteram-se logo à obra e executaram ao pé da letra a horrível sentença.

 O mártir de vez em quando rezava: “Ó meu Deus, ensinai-me vossa sabedoria!”

 Quando os carrascos nada mais tinham para cortar, restando apenas o tronco banhado em sangue, o herói, vendo todos os membros cortados, exclamou: 

“Felizes de vós, bem-aventurados membros, que tivestes a honra de servirdes ao vosso Deus! Nunca me fostes tão caros, quando unidos ao meu corpo, como agora. Regozijo-me de ver-vos  separados de mim! Assim convém que por algum tempo estejamos separados, para depois podermos ir ao encontro de nosso rei na eterna glória. 

Em vez de mortais, me sereis restituídos como membros imortais, agora sois membros de Cristo, como sei que sou de Cristo e nisto vejo realizado meu único e ardente desejo”. 



 Dirigindo-se aos circunstantes, disse: 

“Pouco vale serdes testemunhas de um espetáculo tão pouco comum. Facilmente o suporta aquele que acredita na imortalidade futura. Abandonai os vossos deuses que em nada vos podem auxiliar. Reconhecei a meu Deus, que me fortalece. 



Morrer por ele é viver; sofrer por ele é gozar. A sua caridade não tem fim; sua honra cada vez mais aumenta. Meu sofrimento faz com que eu viva eternamente com ele sem jamais dele me separar”.

                                             


  Ditas estas palavras, entregou o espírito a Deus. 

Os próprios pagãos ficaram admirados da coragem e da paciência deste glorioso Mártir. 

Os cristãos louvaram a Deus, que dá força aos que o amam e lhe servem com toda a dedicação.

 Juntaram as relíquias do mártir e guardaram-nas com todo respeito.













Santo Arcádio consta somente no Martirológio Romano, o seu nome não aparece em nenhum do Oriente.

 Isto porque, o precioso documento do culto deste santo foi levado para Verona, pelo primeiro bispo desta diocese, chamado Zenon, de origem africana e nascido na cidade do mártir. 

Parece que ele trouxe consigo a Ata onde foi narrado o martírio de Arcádio e o difundiu entre os cristãos através dos seus sermões, logo no início de seu apostolado no território italiano.





terça-feira, 30 de outubro de 2012

SANTO ELESBÃO - PROTETOR DAS VIAGENS NO MAR, DOS MARINHEIROS, PARA A CASA PRÓPRIA - 27 DE OUTUBRO





Elesbão (séc. VI dC) foi um rei do Império de Axum, na atual Etiópia. Venerado no dia 27 de outubro.








 Representado como um rei negro da Etiópia, a veneração de Elesbão teve muita difusão no Brasil colonial entre os escravos africanos e seus descendentes.



Vida

Elesbão foi um rei de Axum, na atual Etiópia (Abissínia), 47° da sua dinastia. 



 

Segundo a tradição, era descendente do rei Salomão e da rainha de Sabá. 

No século VI dC, Elesbão conseguiu expandir o reino cristão da Etiópia através do Mar Vermelho até a Península Arábica e o Iêmen, convertendo árabes e judeus à fé cristã.





Cerca de 523, Danaan (Dihu Nowas), judeu do Reino Himyarita (atual Iêmen), lançou uma rebelião contra Elesbão e massacrou os cristãos do seu reino, incluindo o vice-rei instalado por Elesbão na cidade de Safar. 




 




Com o apoio de Justino I, Imperador Romano do Oriente, Elesbão reagiu e conseguiu vencer Danaan numa guerra, reestabelecendo a fé e colocando no trono do reino de Danaan um rei cristão, Arauto.





No fim da vida, Elesbão abdicou do trono em favor do seu filho e repartiu suas riquezas entre os pobres. Em Jerusalém depositou sua coroa na Igreja do Santo Sepulcro e passou a viver como eremita. Morreu no ano de 555.



Culto

No Brasil colonial, a Igreja Católica utilizou a vida de santos africanos de cor negra, particularmente São Benedito, São Elesbão e Santa Efigênia, para promover a religião católica entre os negros escravos e forros. 




 





  Algumas imagens de santos negros. Benedito, a Virgem Aparecida e Efigênia








Várias obras hagiográficas celebrando estes personagens foram publicadas no século XVIII, como Os dois atlantes de Etiópia. Santo Elesbão, Imperador XLVII da Abissínia, advogado dos perigos do mar & Santa Efigênia, Princesa da Núbia, publicado entre 1735 e 1738 pelo frei carmelita José Pereira de Santana. 

Nesta e em outras obras, tanto a Etiópia como a Núbia são descritos como fiéis defensores da fé cristã, tendo em S. Elesbão e S. Efigênia seus maiores campeões.

Graças à ação catequética e à necessidade de associação dos negros, várias irmandades religiosas dedicadas a São Elesbão surgiram entre os negros escravos ou alforriados no século XVIII. 

As irmandades - que existiam separadas para negros, pardos e brancos - davam aos seus membros um âmbito de ajuda mútua e inserção social.







ORAÇÃO A SANTO ELESBÃO (27 de Outubro)

Ó Grande Santo Elesbão, 
que na vossa vida nas terras longínquas, ardentes e pagãs da Abissínia, soubestes, de um modo admirável e constante, cumprir os preceitos da lei cristã;

 com vosso admirável exemplo atraíste muito de vossos súditos à luz da fé, vencestes os inimigos de Cristo, implantastes em vosso reino o conhecimento do verdadeiro Deus, limpastes o mar vermelho de todos os piratas que assaltavam duplamente a vida do corpo e da alma,

 sêde, pois, nosso defensor e nosso guia, ó grande imperador, no mar tempestuoso desta vida, para que, lutando sob as falanges do Leão de Judá, conquistemos os louros da vitória eterna. 
Assim seja. Amém.





 Igreja de Santo Elesbão e Santa Efigênia












Santo Elesbão é invocado para conseguir a casa própria.
Na foto,  vemos ex-votos por graças alcançadas por Santo Elesbão.


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Santo Elesbão é o protetor dos viajantes embarcadiços e navegantes
Terra e mar. Ele é protetor dos marinheiros também.
Ele faz muitos milagres e não há nada que se peça a
Santo Elesbão que a pessoa não consiga.


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File:The Tomb of St. Elesbaan of Axum (2836160935).jpg

Tumba de Santo Elesbão, também conhecido como Kaleb, Imperador de Axum.



FONTES:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Elesb%C3%A3o_de_Axum
http://cenpah.wordpress.com/2012/07/31/um-rei-negro-e-o-cristianismo/








segunda-feira, 15 de outubro de 2012

SÃO PEDRO DE ALCÂNTARA - PADROEIRO DO BRASIL NA MONARQUIA E DOS VIGIAS - 18 DE OUTUBRO






 




São Pedro de Alcântara, de nome de batismo Juan de Garabito y Vilela de Sanabria (Alcântara, 1499 — Arenas de San Pedro, 18 de outubro de 1562), foi um frade franciscano espanhol que fez grandes reformas na sua ordem, a do capuchinhos, no Reino de Portugal.









Nasceu no seio de uma família nobre. 

Estudou direito na Universidade de Salamanca, mas abandonou os estudos e tomou uma vida religiosa em 1515 no Convento de San Francisco de los Majarretes, perto de Valência de Alcântara, onde tomou o nome de frade Pedro de Alcântara. Foi ordenado em 1524, com 25 anos.


Viajou até Portugal em 1539 para ajudar o seu parente Martín de Santa Maria Benavides a reformar uma das províncias franciscanas. De 1542 a 1544, foi guardião e mestre de noviços em Palhais.

 Com a morte de Martín, em 1546, foi Pedro de Alcântara quem deu seguimento a seu trabalho, sendo, por isso, muito apreciado pelo rei dom João III.


Logo estabeleceu-se na Serra da Arrábida e, aí, ajudou a fundar uma série de mosteiros para os chamados Arrábidos (ou Capuchos, noutras zonas do país), nomeadamente o chamado Convento da Arrábida. Escreveu toda a regra da comunidade lá perto, em Azeitão.


Em 1555, iniciou a reforma da Ordem dos Capuchinhos mediante as regras "alcantarinas", hoje conhecidas como de "Estrita Observância". 

Mais tarde, foram os Arrábidos que foram colocados no Convento de Mafra por dom João V. Acabaram por ser expulsos de Portugal quando da implantação do liberalismo no país, sendo, então, reintegrados na Ordem Franciscana.


Em 1557, estava no Reino de Portugal que tanto amava.







 





Era notável pregador e místico, amigo e confessor de Santa Teresa d‘Ávila a quem terá ajudado em 1559 na tarefa de reforma da Ordem Carmelita, a par de S. João da Cruz.









 Escreveu o "Tratado da Oração e Meditação" e terá sido lido por S. Franscisco de Salles.
Foi beatificado pelo papa Gregório XV em 1622 e canonizado por Clemente IX em 1669.


Foi padroeiro do Brasil durante o Brasil Império.




Pedro Gavarito nasceu em Alcântara, na Espanha, em 1499, ano da publicação da Bula sobre as indulgências, que seria usada por Lutero como pretexto para sua rebelião contra Roma. 

De família nobre, seu pai era legista e prefeito da cidade.
Diz um seu biógrafo que “o menino tinha feições agradáveis, era vigoroso, de porte esbelto e bem servido de dons naturais. Retinha de cor um texto depois da primeira leitura, o que lhe permitia citar sem enganos o verso mais curto que fosse, da Bíblia.

Pedro estudou filosofia na Universidade de Salamanca. Apesar de estar na primeira adolescência, levava já vida de asceta. 






 





 Dedicava a maior parte de seu tempo livre à oração, visita aos doentes e encarcerados, socorrendo os pobres com suas esmolas









Aos 15 anos, já era uma espécie de diretor espiritual de um grupo de condiscípulos.
O ano de 1515, que assistiu a primeira revolta de Lutero contra a Igreja e o nascimento de Santa Teresa, viu também a entrada de Pedro, aos 16 anos, num convento franciscano observante. 

Para isso, saiu escondido da família. A noite estava escura.

 No caminho encontrou largo rio. Encomendou-se a Deus, e um súbito vento, envolvendo-o, transportou-o para a outra margem.

  Esse foi o primeiro grande milagre dos inúmeros de que foi objeto esse filho de São Francisco.






 
Mortificação na fonte da santidade
Pedro estava determinado a tornar-se santo pela mais estrita observância das regras, silêncio heróico, e total desapego desde o primeiro instante de sua vida religiosa.







 Seu superior ajudou-o, provando-o de todos os modos. Por exemplo ordenando-lhe, mesmo estando ele em êxtase, durante a oração, a executar as mais desagradáveis tarefas.
Mas o pior era enfrentar o demônio do sono. Era só chegar o momento da oração em comum, que uma fadiga invencível o assomava. 

Como Frei Pedro confessará mais tarde a Santa Teresa, empreendeu ele uma heróica e tenaz luta contra o sono. E venceu-a graças às drásticas medidas que tomou: além da mortificação e jejuns contínuos, não concedia ao repouso mais que hora e meia; e assim mesmo, de joelhos, com o queixo apoiado em uma tábua; ou sentado, encostado na parede.




O demônio não se deu por vencido, e o perseguiu de outros modos. Já que não conseguia dominá-lo pelo sono, perseguia-o com ruídos e estrondos no pouco tempo dedicado ao descanso. Algumas vezes chegava a derrubar o frade no chão, quase sufocando-o.  

Em outras ocasiões atirava-lhe pedras, que seus condiscípulos encontravam em sua cela no dia seguinte.





















Pregador fecundo e alta vida mística




Aos 25 anos, apesar de sua relutância, Frei Pedro foi ordenado sacerdote. Com ele, muitas vezes a obediência tinha que vencer a humildade.







 
Diz seu biógrafo que “a missa de Frei Pedro de Alcântara valia por uma missão. Podia-se apalpar a sublime familiaridade que o unia a Cristo”.














Recebeu ordens de pregar, e “todos se admiravam da profundidade de sua doutrina, do calor de sua palavra”, de sua “eloqüência máscula e robusta, toda embebida de Sagrada Escritura unindo estranhamente as graças das Bem-aventuranças com as chicotadas de João Batista”.

O “pior” para Frei Pedro era que Deus se comprazia em mostrar publicamente as graças que lhe concedia. 


Às vezes era arrebatado em êxtase, em plena rua, quando estava esmolando para o convento. Ou na igreja, em frente a todos seus confrades e fiéis. Isso,  para ele, era o maior tormento.






 



Como São José de Cupertino, às vezes uma só palavra o arrebatava de tal modo, que começava a lançar gritos ininteligíveis, saía fora de si, e ficava suspenso no ar.










Penitência na raiz da glória celeste
As terríveis penitências, disciplinas, jejuns e demais mortificações de Frei Pedro, transformaram-no quase que num esqueleto. 

Santa Teresa o descreve como feito de raízes de árvore. 






 





 Ela mesma testemunhou o quanto essa penitência fora agradável a Deus, vendo-o, logo após a morte, subir ao céu em meio a um brilho fulgurante, dizendo-lhe: 

Oh! bendita penitência, que me valeu tamanho peso de glória!”

Se Frei Pedro era penitente, não era por isso um santo tristonho; pelo contrário, detestava a tristeza: 

alegrava-se nos bosques, nos cimos dos montes, à beira dos regatos límpidos. Os passarinhos, em seus alegres rodopios, vinham pousar-lhe sobre os ombros”. 

E Santa Teresa testemunha: “Com toda a santidade, ele era muito afável, embora falasse pouco quando não interrogado; mas, nas poucas palavras que pronunciava era muito agradável, porque tinha boa visão das coisas”.



A nobreza, submissa ao grande Santo


 

 

Frei Pedro fugia da fama, e a fama o perseguia. Seu renome chegou a Portugal, e D. João III o pediu como confessor. 





A obediência obrigou-o a aceitar. Transformou a Corte lusa em modelo de virtude. Ademais, foi incontável o número de fidalgos de ambos os sexos que tudo abandonaram para viver na mais extrema pobreza.



A seu conselho, a rainha Catarina fez de seu palácio uma escola de virtude e de devoção. O Infante D. Luís, irmão do rei, mandou construir o convento de Salvaterra em seu favor, e nele se retirou para viver como o mais pobre dos religiosos, depois de ter vendido seus móveis e sua equipagem, pago suas dívidas e feito voto solene de pobreza e castidade”. 


E o santo teve que intervir para forçar o príncipe a moderar suas mortificações. “A infanta Maria, sua irmã, fez também voto de castidade e empregou todos seus bens no serviço de Nosso Senhor, construindo, por exemplo, o Hospital da Misericórdia e um convento de Clarissas.

 Além disso, foram inúmeros os nobres, tanto em Portugal quanto na Espanha, que entraram para a Ordem Terceira da Penitência, por sua influência

A estamenha [tecido do hábito religioso] que ele usava era demais afamada para que os grandes nomes de Espanha não disputassem a honra de um pedaço sob o arminho, sob a seda ou sob a púrpura”.





 






O Imperador Carlos V e sua filha, a princesa Joana, quiseram-no como confessor; mas Frei Pedro soube recusar essa onerosa honra sem feri-los.





*     *     *
Padroeiro do Brasil
“Desde que Sua Majestade Real e Imperial recebeu, sob o nome de Pedro I .... a missão de governar e dirigir este povo .... esteve convencido .... e se persuadiu de que não poderia reger e administrar os negócios desta Nação, sem que antes se interessasse em ter um Padroeiro celestial que, por sua intercessão junto de Deus, lhe assegurasse os meios de bem agir,  de bem dirigir e de bem administrar.
“Não foi necessário longa reflexão. Já pela devoção especial que ele tinha por São Pedro de Alcântara .... já por trazer, como imperador, o próprio nome do santo, ele decidiu escolhê-lo como padroeiro principal de todo o império .... [e] suplica a S.S. o Papa Leão XII que se digne com sua benevolência apostólica, confirmar a escolha”. Isso foi feito a 31 de maio de 1826.
É lastimável que essa festa, antes tão solenemente comemorada no Império, tenha caído no olvido com o advento da República, de modo tal que poucos são hoje em dia os brasileiros cientes de que São Pedro de Alcântara é o padroeiro de nossa nação.
Cfr. Pastoral Coletiva dos Arcebispos e Bispos das Províncias eclesiásticas de São Sebastião do Rio de Janeiro, Mariana, São Paulo, Cuiabá e Porto Alegre. Rio de Janeiro, 1911. Apêndice XXX, pp. 619, 620. In Frei Estefânio Piat, cuja citação bibliográfica da obra encontra-se na nota 1 da p. 20).

*     *     *






 
Exímio Reformador de Ordens religiosas
No ano de 1538, o Capítulo dos Observantes descalços – que seguiam a regra primitiva – elegeu Frei Pedro de Alcântara como Provincial.






 Aproveitou ele para a reforma desse ramo franciscano, acrescentando maior severidade às regras e novos exercícios, dando maior facilidade àqueles que desejavam entregar-se ao recolhimento e à contemplação. Daí o nome que receberam de Franciscanos Recoletos.
Em breve sua reforma se difundiria pela Europa, estendendo-se aos confins da Índia e do Japão.
Trabalhou também para que se fundassem na Espanha conventos de Clarissas, reformados por Santa Coleta, e foi um dos maiores apoios à reforma de Santa Teresa de Jesus.






Sustentáculo de Santa Teresa de Jesus
 









Sóror Teresa de Jesus estava na maior desolação. Experimentando os mais elevados fenômenos da vida mística, não era compreendida por seus diretores, irmãs de hábito, nem pelo povo em geral, porque na Espanha do século XVI matéria religiosa era felizmente do interesse geral. Alertada por todo mundo, tinha receio de estar sendo vítima de ilusões e joguete do demônio.

Entrementes, Frei Pedro de Alcântara teve que ir a Ávila. Nas primeiras palavras trocadas com a carmelita, não só confirmou a origem divina de suas aparições como a incentivou a soltar velas à ação do Divino Espírito Santo.
Quando a Santa enfrentou a mais terrível oposição ao seu projeto de reforma, ele foi seu grande aliado, aplainando os obstáculos e levando-a à vitória.
Entre os dois santos estabeleceu-se uma amizade divina, que não terminou com a morte de Frei Pedro, profetizada por ela um ano antes.




 


“Eu o tenho visto muitas vezes com grandíssima glória”, escreve Santa Teresa. E “parece-me que muito mais me consola agora que quando estava aqui [na Terra]”.







Uma afirmação que é um incentivo para sermos mais devotos desse grande Patrono do Brasil: “Disse-me o Senhor uma vez, que não Lhe pediriam coisas em seu nome que Ele não atendesse. Muitas, que eu lhe tenho encomendado que peça [por mim] ao Senhor, as vi atendidas”.





 





Bendita penitência que me valeu tão grande glória!









Fazia tempo que Frei Pedro de Alcântara vivia praticamente de milagre,  consumido pelas penitências, jejuns e trabalhos. Devorado por uma febre e contrariando seus hábitos, aceitou um asno para ir até Ávila em socorro de Madre Teresa, que encontrara novas dificuldades para a fundação do seu primeiro mosteiro reformado.
Com um companheiro, pararam perto de uma estalagem. Com todos os incômodos da febre, o santo se estirou no chão, colocando o manto dobrado sobre uma pedra para lhe servir de travesseiro. 

Nisso surgiu a estalajadeira, injuriando-os aos gritos porque o asno entrara na sua horta, devorando algumas couves. Vendo que o frade se mostrava insensível às injúrias, a irada mulher puxou-lhe o manto colocado debaixo da cabeça. Esta bateu violentamente na pedra, causando profundo ferimento.
Mal momento escolhera a mulher, pois nesse instante chegou um fidalgo para encontrar-se com Frei Pedro, a quem tinha em conta de verdadeiro santo. Vendo-o com a cabeça sangrando, indignou-se contra a megera, ordenando incontinenti a seus homens que pusessem fogo à estalagem e passassem à espada seus moradores. Foi preciso que Frei Pedro usasse de todo seu dom de persuasão para evitar a catástrofe.

Sentindo que seu fim chegara, Frei Pedro pediu que o levassem para o convento de Arenas, onde saudou a morte com o Salmo:  

“Enche-me de alegria o saber que vou para a casa do Senhor”

Assistido por Nossa Senhora e São João Evangelista, entregou sua bela alma a Deus no dia 18 de outubro de 1562, aos 63 anos.






 




“Deus levou-nos agora o bendito Frei Pedro de Alcântara! exclamou Santa Teresa. “O mundo já não podia sofrer tanta perfeição.








Gregório XV  o beatificou  em 1622, e Clemente IX o elevou à honra dos altares em 1669.





O PADROEIRO DA MONARQUIA BRASILEIRA

 A Catedral de São Pedro de Alcântara localiza-se em Petrópolis, cidade serrana no Estado do Rio de Janeiro, Brasil.

 É dedicada a São Pedro de Alcântara, padroeiro da cidade e da Monarquia Brasileira.

 

Interior da Catedral.
Em 1920 foi anulado o decreto que bania a Família Imperial do Brasil, e já em 1921 os restos de D. Pedro II e D. Tereza Cristina foram trazidos do Mosteiro de São Vicente de Fora, em Lisboa, para o Rio de Janeiro, onde foram alojados na Catedral Metropolitana. Em 1925 os restos foram transferidos para a sacristia da catedral de Petrópolis. Finalmente, em 5 de dezembro de 1939, o presidente Getúlio Vargas e outras autoridades inauguraram o Mausoléu Imperial, para onde foi transferido definitivamente o sarcófago do Imperador e da Imperatriz. Em 1971 também foram sepultados no mausoléu a Princesa Isabel e seu marido, o Conde D'Eu.



Mausoléu imperial

O Mausoléu Imperial, uma capela localizada à direita da entrada, é um dos grandes atrativos históricos da catedral. No centro há um sarcófago duplo com os restos do Imperador D. Pedro II e da Imperatriz Tereza Cristina. O túmulo foi esculpido em mármore de Carrara cerca de 1925 pelo francês Jean Magrou, autor dos jacentes, e pelo brasileiro Hildegardo Leão Veloso, autor dos relevos das laterais. Os túmulos da Princesa Isabel e seu marido, o Conde D'Eu, foram esculpidos pelo brasileiro Humberto Cozzo. As janelas da capela tem vitrais coloridos com poemas escritos por D. Pedro II durante o exílio, em que o Imperador deixa transparecer a saudade que sentia do seu país natal. O altar da capela, esculpido em mármore e com uma cruz de granito da Tijuca, contém relíquias dos santos São Magno, Santa Aurélia e Santa Tecla, trazidas de Roma.

Sepultamentos

Na Basílica de São Pedro de Alcântara, estão sepultados:
  • Dom Pedro II, imperador do Brasil (1825-1891)
  • Teresa Cristina de Bourbon-Duas Sicílias, imperatriz do Brasil (1822-1889)
  • Dona Isabel Cristina de Bragança e Bourbon, princesa imperial do Brasil e condessa d'Eu (1846-1921)
  • Luís Gastão de Orléans, príncipe imperial consorte e conde d´Eu (1846-1922)
  • Pedro de Alcântara de Orléans e Bragança, príncipe de Orléans e Bragança (1875-1940)
  • Elisabeth Dobrzensky de Dobrzenicz, condessa de Dobrzensky (1875-1951)





São Joao Capistrano aparece 
a São Pedro de Alcantara









A  apoteose de São Jerônimo  com São Pedro de Alcantara
 e um franciscano. 
São Jerônimo é um exemplo de penitente.





Deus e Senhor nosso, 
que nos dais, em vossos santos, 
admiráveis exemplos de virtudes, e que,
 no bem-aventurado São Pedro de Alcântara, 
nos apresentais um modelo acabado de oração,
 de humildade, de penitência e de caridade ardente: 
Fazei que copiemos, em nosso coração, 
tão exímias virtudes, e que apenas na cruz e na mortificação, que são chaves do céu, ponhamos, como São Pedro, nossas maiores complacências. 
Amém.









Glorioso São Pedro de Alcântara,
 que, sentindo, em vossa alma, uma grande fome de céu, soubeste renunciar a todas as riquezas e prazeres do mundo: dai-nos força e decisão para apartar de nós tudo quanto impede nossa futura salvação.
 Amém.




O milagre de São Pedro de Alcantara





Altar da igreja de São Pedro de Alcântara,
padroeiro da cidade de Floriano












ORAÇÃO

Onipotente e sempre eterno Deus, que, por vossos santos, vos dignas fazer sempre maravilhas: vos rogamos humildemente que, assim como tens prometido escutar, misericordioso, os rogos dos que vos implorem por meio de São Pedro de Alcântara, assim atendas agora, pelos méritos do mesmo, as súplicas que vos fazemos, e derrames, sobre nós, o saudável rocío de vossa benção, para que, livres de todo mal, mereçamos chegar felizmente ao porto de vossa misericórdia.
Por Jesus Cristo nosso Senhor. Amém.








 


 
Piedosíssimo São Pedro de Alcântara, cujos fervores na oração vos arrastaram centenas de vezes ao extase e aos arrebatamentos: aquece nossa alma em vosso fervor e ajudai-nos na fidelidade a Deus. Amém.




 

 
Caridoso São Pedro de Alcântara, tão solicito sempre pelas necessidades do corpo e alma de vossos próximos; fazei-nos ver que, sem caridade, não seremos discípulos de Cristo nem poderemos entrar no céu. Amém.
















 



Esforçado discípulo da Santa Cruz, São Pedro de Alcântara, que soubeste cravar-vos nela cada dia de vossa vida: fazei que percamos o medo da cruz, e descubramos, em nossas dores, as imagens dessa cruz que beijamos com devoção. Amém.
















 





 
Bendito São Pedro de Alcântara, filho insigne da Mãe Igreja, e hoje exemplo e glória dos católicos: infundi em nós um vivo e prático amor a Igreja de Jesus Cristo, arca de nossa salvação. Amém.

















 

FONTES: