sábado, 12 de novembro de 2011

SANTA MARGARIDA DA ESCÓCIA - RAINHA, MÃE, PADROEIRA DA ESCÓCIA - 16 DE NOVEMBRO








Por maravilhosos desígnios de Deus, tornou-se Rainha da Escócia.







 Requintou o esplendor das igrejas e da corte, sabendo admiravelmente aliar profunda piedade e muita firmeza.

 

Quando o rei da Inglaterra Edmundo II foi assassinado em 1017, Canuto II, o Grande, rei da Dinamarca, aproveitou para tentar concluir a conquista desse país, do qual já ocupava algumas províncias.

E enviou para a Suécia os dois filhos do rei falecido, Edmundo e Eduardo, com o intuito de que lá fossem mortos.

 Mas o rei sueco não quis manchar suas mãos com sangue inocente e mandou os dois órfãos para a Hungria, onde reinava o grande Santo Estêvão.

 Este recebeu-os com todo afeto e se encarregou de dar-lhes uma educação segundo seu nascimento.

Edmundo morreu sem sucessão, mas Eduardo, chamado “do Ultramar” ou “o Proscrito”, casou-se com Ágata, sobrinha do Imperador Santo Henrique e irmã de Gisela, esposa do rei Santo Estêvão.




Desse matrimônio nasceram três filhos, Edgard, Cristina e Margarida, esta em 1046.



Em 1041 subira ao trono da Inglaterra Santo Eduardo III, o Confessor.
















 
Logo que se firmou no trono, sabendo que seu parente vivia exilado na corte da Hungria, convidou-o a voltar com a família para a Inglaterra.

Voltaram em 1054, sendo recebidos com provas de estima e afeição.







A princesa Margarida, então no início da adolescência, encantou a todos por sua piedade e modéstia.

Era devotíssima da Santa Mãe de Deus e extremamente caridosa para com os pobres e necessitados.



Desígnios da Divina Providência

 


O pai da santa faleceu em 1057, e seu irmão Edgard tornou-se assim herdeiro direto do rei santo, que não tinha descendentes.

Sendo ele ainda menor de idade, e tendo nascido em terra estrangeira, colocaram no trono em seu lugar o Conde Haroldo.

Guilherme, o Conquistador, atravessou o Canal da Mancha em 1066 e invadiu a Inglaterra.

 Na batalha de Hastings, matou Haroldo e se apoderou do trono inglês.

 Para subtrair-se à tirania do conquistador, Edgard e Margarida, esta com 20 anos de idade, fugiram numa embarcação pretendendo chegar à Hungria, onde sabiam que seriam bem recebidos.

Mas outro era o desígnio da Providência, e durante uma tempestade o barco foi atirado às costas da Escócia.

Nesse país foram bem recebidos pelo rei Malcolm III que, encantado com as qualidades de Margarida, propôs-lhe o matrimônio.

Esta de há muito alimentava o desejo de, como sua irmã Cristina, fazer-se religiosa.

Mas seu confessor fê-la ver como poderia auxiliar mais a religião subindo ao trono.




CASAMENTO DE MARGARIDA E MALCOM III



Assim realizou-se no ano de 1070 o casamento e a coroação de Margarida como rainha da Escócia.

Aos 24 anos de idade, foi reputada a mais formosa princesa de seu século.



Uma rainha que aliava piedade e firmeza



Embora Malcolm fosse um pouco rude, tinha muito boa índole e disposição para a virtude.

Sobretudo amava ternamente a rainha e tinha nela uma confiança sem limites.

Assim Margarida, por uma conduta cheia de respeito e condescendência, tornou-se senhora de seu coração; e serviu-se do ascendente que tinha sobre o rei para fazer florescer a religião e a justiça, procurar a felicidade dos súditos e inspirar a seu marido os sentimentos que o tornaram um dos mais virtuosos reis da Escócia.

Ela amenizou seu caráter, cultivou seu espírito, poliu suas maneiras e o inflamou de amor pela prática das máximas evangélicas.

A rainha punha empenho nesse apostolado, pois não duvidava que a transformação e melhora dos costumes do povo dependiam em boa parte do exemplo do rei e da corte.

 Assim, toda a Escócia progrediu, tornando o reinado de Malcolm um dos mais felizes e prósperos da Escócia.



Em suma, Margarida era uma rainha “piedosa e varonil ao mesmo tempo. Cavalgava gentilmente entre os magnatas, tecia e bordava entre as damas, rezava entre os monges, discutia entre os sábios, e entre os artistas planejava projetos de catedrais e de mosteiros”.


Deus abençoou seu matrimônio com oito filhos, seis homens e duas mulheres, todos tendo seguido a senda da mãe.

Dois deles –– uma filha, também Margarida, casada com o rei da Inglaterra, e um filho, Davi I, rei da Escócia –– foram elevados à honra dos altares.











Zelo pelo esplendor na casa de Deus e na corte


Um dos cuidados de Margarida foi estabelecer em todo o reino sacerdotes virtuosos e pregadores zelosos.






Um sínodo foi convocado, e as mais importantes dentre as reformas instituídas por ele foram a regulamentação do jejum da Quaresma e a observância da comunhão pascal, então quase desaparecidos, e a remoção de certos abusos concernentes ao casamento dentro dos graus de parentesco proibidos.



A rainha procurou ainda organizar a Igreja na Escócia.

 Em conseqüência, por seus conselhos, o reino foi dividido em dioceses, com demarcação bem determinada.

Foram criados cabidos nas catedrais, com o correspondente clero, e estabelecidas paróquias.

Atraiu ordens religiosas, principalmente da França e da Inglaterra, com vistas a contribuir eficazmente para o incremento da vida litúrgica, pois desejava o esplendor na Casa de Deus.

Para isso, construiu igrejas magníficas e reformou outras, dotando-as do que havia de melhor para o serviço divino.



Embora fosse pouco exigente para com sua própria pessoa, a rainha queria que a corte fosse esplêndida, a fim de valorizar a autoridade real; que a nobreza se vestisse muito bem, e que os reis se trajassem com pompa.

Protegeu também as ciências e as artes e fundou diversos estabelecimentos de cultura.



“Ó Rainha santa, socorrei-nos”



Salientou-se também pela caridade para com o próximo.

Em nossa época, em que tanta demagogia e pouco de concreto realmente se faz pelos pobres, o exemplo de Margarida da Escócia é paradigmático.



Diariamente servia com suas próprias mãos a comida a nove meninas órfãs e a 24 anciãos.













 Durante o Advento e a Quaresma, atendia com o rei –– ambos de joelhos, por respeito a Nosso Senhor Jesus Cristo em seus membros padecentes –– a 300 pobres, servindo-lhes comida da mesa real.















 
Também diariamente a rainha saía pelas ruas, sendo rodeada então por inúmeros órfãos, viúvas e necessitados de toda espécie, que clamavam:

Rainha santa, socorrei-nos”, “Ó nossa mãe, assisti-nos”.

E ela a todos socorria, mesmo que para isso tivesse que pedir também aos membros da sua comitiva algo com o que assistir àquela gente.

Regularmente visitava os hospitais para socorrer os doentes pobres.

Os devedores insolventes encontravam nela seu auxílio.

 Resgatava cativos, não só escoceses, mas também de outras nacionalidades.

Enfim, não houve miséria física ou moral que ela não tivesse socorrido.



Profundamente humilde e austera




 

Santa Margarida, como todos os santos, tinha profunda humildade. Pedia freqüentemente a seu confessor que a advertisse de qualquer falta que a visse praticar. E reclamava com ele, que não encontrava o que advertir, alegando que não estava cumprindo sua missão.








 

Ela dormia pouco e rezava muito. Sua alimentação era tão parca, que se restringia apenas ao necessário.

Começou a sentir o organismo minado, com terríveis dores de estômago. Privava-se de qualquer passatempo fútil e fugia de tudo quanto pudesse alimentar a sensualidade.

Possuía também um vivo espírito de compunção e tinha o dom das lágrimas.

Guardava silêncio absoluto na igreja, por respeito à Presença Real, e bastava vê-la rezar para se conhecer como é que se pratica a oração.



Margarida observava duas Quaresmas, a do Natal e a da Páscoa, aumentando ainda mais suas austeridades.



Seu confessor e biógrafo diz que não é necessário constatar se ela praticou milagres, pois sua vida inteira foi um prodígio.



Última provação e santa morte

 



Quando a rainha estava acamada em sua última doença, teve que passar por uma prova duríssima.

Tendo o rei Guilherme, o Ruivo, da Inglaterra, invadido a Northumberland escocesa, Malcolm organizou um exército para a reconquistar.

A rainha lhe pediu muito que não fosse pessoalmente a essa campanha, mas ele resolveu ir com seus filhos Eduardo e Edgard, julgando que o temor da rainha se devia à bondade do seu coração.



Quatro dias antes de sua morte, ela disse aos presentes:

 “Hoje talvez tenha acontecido uma grande infelicidade para a Escócia, como a que ela não via há muitos anos”.


Entrementes seu filho Edgard voltou da guerra, e ela lhe pediu notícias do pai e do irmão.

 Temendo que a verdade lhe fosse fatal, o rapaz respondeu que estavam bem.

 “Ah! Meu filho, sei muito bem o que se passa; por isso não tens que negar-me a verdade”, respondeu ela.

Edgar relatou então a morte de seu pai e irmão numa emboscada durante a campanha.

Margarida, erguendo os olhos ao céu, exclamou:

 “Deus todo-poderoso, eu vos agradeço por me terdes enviado uma tão grande aflição nos derradeiros momentos de minha vida. Espero que, com vossa misericórdia, ela servirá para me purificar de meus pecados”.








Enfim, sua alma se viu livre dos liames do corpo no dia 16 de novembro de 1093, aos 47 anos de idade.

 Tornou-se padroeira da Escócia.







 


Tempos depois, ao cair esse país na heresia protestante, os católicos recolheram secretamente as relíquias da rainha santa e de seu esposo, a quem também consideravam santo, e as enviaram ao rei Filipe II da Espanha, que lhes deu um refúgio seguro no mosteiro El Escorial, que acabava de construir.









ORAÇÃO

Senhor,
 que tornastes admirável Santa Margarida da Escócia
pela sua caridade para com os pobres,
 concedei nos, por sua intercessão,
que, seguindo o seu exemplo,
 sejamos no meio dos homens um reflexo da vossa bondade.
 Por Nosso Senhor.






SANTA MARGARIDA
 MANDANDO CONSTRUIR IGREJAS








MALCOM III E MARGARIDA DA ESCÓCIA







"UMA MULHER FORTE , QUEM A ENCONTRARÁ?
ELA VALE MUITO MAIS DO QUE AS JÓIAS."
Pr 31, 10






ESTA LOUVÁVEL MULHER,
POR SUAS OBRAS HONRADA,
JÁ COM OS ANJOS TRIUNFA
PELAS VIRTUDES ORNADA.

A DEUS ORAVA COM LÁGRIMAS
E COM FIEL CORAÇÃO,
ENTRE JEJUNS E VIGÍLIAS,
FIEL À SANTA ORAÇÃO




DO MUNDO A GLÓRIA PISOU,
FIRMANDO A MENTE NO BEM.
E, NA PERFEITA JUSTIÇA,
DOS CÉUS SUBIU MAIS ALÉM.




EM SUA CASA ELA FEZ
BRILHAR AS SANTAS AÇÕES.
SEU PRÊMIO AGORA RECEBE
DE DEUS NAS ALTAS MANSÕES.

HONRA, PODER, MAJESTADE
AO UNO E TRINO SENHOR.
OUVINDO AS PRECES DA SANTA,
NOS UNA AOS SANTOS NO AMOR.




SANTA MARGARIDA DA ESCÓCIA,
CHEIA DE CARIDADE E COMPAIXÃO,
ROGAI POR NÓS A JESUS CRISTO
PARA QUE ALCANCEMOS SALVAÇÃO





Ó DEUS,
SÓ VÓS SOIS SANTO E SEM VÓS NINGUÉM PODE SER BOM.
PELA INTERCESSÃO DE SANTA MARGARIDA DA ESCÓCIA,
DAI-NOS VIVER DE TAL MODO,
QUE NÃO SEJAMOS DESPOJADOS DA VOSSA GLÓRIA.
POR NOSSO SENHOR JESUS CRISTO,
VOSSO FILHO,
NA UNIDADE DO ESÍRITO SANTO.
AMÉM


ESTA SANTA REALIZOU GRANDES PRODÍGIOS
NA PRESENÇA DO SENHOR E DOS IRMÃOS
E DE TODO O CORAÇÃO LOUVOU A DEUS

QUE ELA PEÇA JUNTO A DEUS POR NOSSAS CULPAS.






"EM VESTES VISTOSAS AO REI SE DIRIGE,
E AS VIRGENS AMIGAS LHE FORMAM CORTEJO;
ENTRE CANTOS DE FESTA E COM GRANDE ALEGRIA,
INGRESSAM, ENTÃO, NO PALÁCIO REAL."
SL 44, 15-16

QUE SEJAMOS PROTEGIDOS, SENHOR,
PELA INTERCESSÃO CONSTANTE
DE SANTA MARGARIDA DA ESCÓCIA!








SANTA MARGARIDA, RAINHA DA ESCÓCIA,
ORAI POR NÓS!





FONTES:






































 



































quinta-feira, 10 de novembro de 2011

SÃO CARLOS BORROMEU- 04 DE NOVEMBRO







Mui devidamente São Carlos Borromeu é contado entre os maiores santos, que glorificaram a Igreja Católica no século XVI, defendendo-a vitoriosamente dos inimigos que contra ela se levantaram.






No calendário dos santos, figura Carlos com o nome dos ascendentes maternos.

 Os Borromeus, chamados antes Franchi, residiam antigamente na cidade de San Miriato.

Depois se ramificaram e encontramos seus diversos representantes em Florença, Pádua e Milão.

Gilberto, senhor de Avona, no lago Maggiore, Casou-se com Margherita, filha de Bernardino Medichino, de Milão, irmã de Gian Ângelo, mais tarde Papa Pio IV. Gilberto Borromeu teve três filhos: Frederico, Carlos e Camila; esta se casou com Cesare Gonzaga de Guastalla, distinguindo-se por grande virtude.


Frederico contraiu matrimônio com Virgínia della Rovere, filha do duque Urbino e morreu com 27 anos.







Carlos, o segundo filho de Gilberto, nasceu aos 2 de outubro de 1538.

Menino ainda, revelou ótimo talento e uma inteligência rara. Ao lado destas qualidades, manifestou forte inclinação para a vida religiosa, pela piedade e o temor a Deus.

 Era seu prazer construir altares minúsculos, diante dos quais, em presença dos irmãos e companheiros de idade, imitava as funções sacerdotais que tinha observado na Igreja. Era mero brinquedo infantil.

 O amor à oração e o aborrecimento aos divertimentos profanos, eram sinais mais positivos da vocação sacerdotal.



Os pais, por seu turno, julgando garantido o futuro da família pelo primogênito Frederico, animaram a Carlos naquele modo de pensar, e levaram-no a seguir a carreira sacerdotal.

Com doze anos, recebeu a tonsura e o hábito talar.

Pela renúncia do tio Julio César, entrou no usufruto da abadia de São Graciano.

Com este acontecimento formou-se o laço, que prendeu o jovem à participação da vida pública da Igreja.

A administração de emolumentos que lhe provinham do benefício, Carlos considerava coisa sagrada.

Bem eclesiástico é propriedade de Cristo e por ele dos pobres; a estes aproveita o usufruto”.

Foi esta a regra que a fé lhe ditou, e que as tradições da família lhe confirmaram.

Não consentia que bens da abadia fossem aplicados a necessidades de família. Emprestando ao pai uma determinada quantia, exigia-lhe nota promissória.



Tendo dezesseis anos, matriculou-se na Universidade de Pávia, para ouvir as preleções do célebre canonista Francisco Alciati.

Cinco anos passou em Pávia, separado do mundo, entregue aos estudos e à prática de piedade.

 Este tempo coincide com a fundação de um patronato para estudantes, cuja organização lhe foi possibilitada pela cessão que o tio materno, o cardeal de Médici, lhe fizera de um benefício eclesiástico.



Quando a notícia da morte do pai o chamou para casa, revelava em todo o modo de agir, o espírito e a tendência de um homem predestinado para grandes coisas.

Inacessível às artes de sedução, com que um velho empregado da casa o procurava prender, julgou também ter a obrigação de reconduzir os monges da abadia ao fiel cumprimento dos deveres religiosos. Por meios hábeis, de bondade e energia, conseguiu este fim.

Até lá, o moço de 22 anos não tinha idéia do grande futuro que o esperava e do papel importantíssimo que havIa de desenvolver na igreja Católica.



Gian Ângelo, tio materno de Carlos, tinha sido eleito Papa, e sob o nome de Pio IV, tomado o governo da Igreja.

Dos parentes que tinham ido a Roma apresentar felicitações ao recém-eleito, fora Carlos a única exceção e, como é de supor, mui propositalmente.

Pio IV mandou chamar o sobrinho à metrópole da cristandade e deu-lhe as posições mais elevadas na hierarquia eclesiástica.










Sucessivamente foi nomeado no ano de 1560, protonatário apostólico, referendário e cardeal diácono da Igreja de São Vito.


Oito dias depois desta nomeação, recebeu o arcebispado de Milão, com residência obrigatória em Roma.

Além destas dignidades, recebeu outras geralmente consideradas anexas à cardinalícia, como sejam: Legado apostólico de Bolonha, Romana e Ancona, protetor de Portugal, dos países baixos, da Suíça católica, dos Franciscanos e Carmelitas e presidente da consulta, isto é, do conselho deliberativo do Estado em negócios exteriores. Muitos, porém, acabaram descontentando-se por atribuírem a acumulação de funções como favoritismo.

Ninguém, porém, estava mais descontente que o próprio privilegiado, não por ter se tornado objeto das queixas nesse sentido, mas principalmente por ter sido o primeiro que desejava uma reforma radical, na parte administrativa da Igreja.

Às queixas e reclamações, seguiu-se um grande contentamento, porque Carlos revelou logo um tino administrativo extraordinário, unido a um espírito de justiça incomparável. Inacessível a adulação, de uma vigilância prudente e rigorosa, ao mesmo tempo condescendente, deu Carlos, apesar de ainda muito jovem, o exemplo de um homem perfeito, cumpridor dos seus deveres.

Além disto, era pessoa de modos delicados, de fino trato social, que com vantagem sabia impor-se na roda da alta sociedade romana.

 O jovem cardeal, fundou uma associação de sábios religiosos e profanos, que realizavam sessões no Vaticano.

Nestas reuniões, cada sócio tinha ocasião de proferir suas idéias, quer em forma de conferências, discursos ou discussões.

Versando, a princípio, sobre assuntos de toda a espécie, mais tarde as conferências tiveram por objeto exclusivamente temas teológicos.

O patronato que havia fundado em Pávia, foi transformado em colégio para estudantes pobres.



O ano de 1562 trouxe a Carlos a graça do sacerdócio.

Morrera seu irmão Frederico, sem deixar filho varão.

Os Parentes insistiram, então, com todo o empenho, para que Carlos abandonasse a carreira eclesiástica, e tomasse estado.

O próprio Papa se fez intérprete do desejo da família. Por tudo acima que foi dito, não nos podemos admirar de ver que, a situação em que se achava as famílias dos Borromeus, nenhuma luta tivesse desencadeado no coração de Carlos.


Para por de vez termo a todas as reclamações dos parentes, fez-se ordenar e, depois do fato consumado, os surpreendeu com a notícia do seu sacerdócio.







Ao Papa que não se conteve, e a Carlos externou o seu grande descontentamento, respondeu:

“Santo Padre, não vos queixeis do meu proceder. Uni-me à esposa que muito amava e desejava com todo o ardor”.







A partir desse momento, se nota na vida de Carlos, pendência decLarada para a vida ascética.

O Jesuíta Pe. Ribeira, seu confessor e diretor de consciência, o introduziu cada vez mais “na vida espiritual, em Deus escondida”.



No silêncio da meditação, lançou Carlos planos grandiosos para a reorganização da Igreja Católica.

Estes todos se concentraram na idéia de concluir o Concílio de Trento.

De fato, era o que a Igreja mais necessitava, como base e fundamento da renovação e consolidação da vida religiosa.

 Por toda a parte surgiram abusos, sintomas indubitáveis de uma decadência deplorável e de uma perturbação bastante séria do regime eclesiástico.

O duque Alberto de Baviera, tinha arbitrariamente introduzido a comunhão dos fiéis sob ambas as espécies.

O rei alemão Fernando, tinha publicado um catecismo de orientação contrária ao Concílio.

Nas cabeças dos políticos franceses, doideava a idéia de um concílio nacional.

Na Polônia se realizou, de fato, um concílio nacional de todas as confissões.

 Na Inglaterra reinava Isabel, a qual, para legitimar sua sucessão, havia de celebrar a independência da Igreja inglesa da de Roma.

Só a Espanha desejava a conclusão do Concílio Tridentino.



Carlos, sem cessar, chamava a atenção do velho tio para esta necessidade, reclamada por todos os amigos da Igreja.







De fato, o Concílio se realizou, e não exageramos se apontamos Carlos como força motriz daquela grandiosa atuação da vida católica.



Carlos quis ser o primeiro a executar as ordens da nova lei, ainda que por esta obediência tivesse de deixar a posição, para ocupar outra inferior.

 Já fazia dez anos que a diocese não tinha visto senão comissários de Antístite.

A autoridade do Vigário Geral, não chegava para pôr em execução as determinações do Concílio Tridentino, que com traço enérgico cortava abusos enraizados na vida do clero secular, os quais alegavam em seu favor o costume de muitos anos.



Carlos visitou a diocese e sua entrada em Milão foi uma apoteose.

Os retratos dos seus avoengos,que tinham sido colocados nas salas do palácio, mandou ele retira-los, e no lugar destes pôr a imagem do glorioso antecessor e modelo, Santo Ambrósio.

Um mês depois da chegada, convocou o primeiro concílio providencial, cujo assunto principal era a reforma da vida clerical, de acordo com as determinações do Concílio Tridentino.

O Concílio sofreu uma interrupção pela morte do Papa. Carlos, chamado a Roma, assitiu ao tio na hora da morte 91565).

No conclave que se reuniu, por ocasião da eleição do novo Papa, Carlos tomou parte. O primeiro pedido que dirigiu a Pio V, foi de poder voltar para a diocese, pedido a que o Sumo Pontífice, se bem que com pesar, lhe acedeu.



De volta para Milão, desenvolveu Carlos uma atividade grandiosa.










Para este fim, organizou uma série de concílios providenciais e diocesanos, escreveu uma excelente instrução para os confessores, e publicou as instituições e regras da sociedade de escolas da doutrina cristã.

Em segundo lugar, trabalhou para a criação de seminários menores e maiores, e construiu em Milão, o Colégio Helveciano.

 Resistência tenacíssima e inesperada encontrou o arcebispo, quando estendeu a reforma às Ordens Religiosas.

Os Cônegos de Santa Maria della Scala, apoiando-se em privilégios antigos, garantidos pelo rei da Espanha, que ao esmo tempo era duque de Milão, negaram ao arcebispo o direito de visita canônica, e levaram o atrevimento ao ponto de pronunciar a sentença de excomunhão contra o prelado.

 A mesma humilhação veio-lhe dos Franciscanos e dos Humiliatas.



A Ordem destes foi dissolvida e com este ato declarou-se por terminada a resistência das Ordens.

Em outras congregações religiosas, o arcebispo achou os mais dedicados auxiliares, como por exemplo, nos Jesuítas, nos Irmãos e Irmãs de Escola, dos Teatinos e Capuchinhos.

 Uma organização admirável que o arcebispo criou entre o clero secular, foi a Congregação dos Oblatas, composta de sacerdotes seculares, que por único voto, tinham de estar sempre à disposição do Prelado, onde e quando de auxílio precisasse.



 



As visitas pastorais dão-nos uma idéia bem clara do espírito apostólico de Carlos Borromeu.

Não lhe era indiferente o modo como o clero cumpria o dever, e como o povo mostrava interesse em aceitar a doutrina cristã e as determinações da autoridade eclesiástica.







 


Freguesia não havia, por mais pobre, por mais inacessível que fosse, que não lhe tivesse recebido a distinção da visita. No meio das fadigas da viagem (muitas vezes ele mesmo carregava a bagagem), conservava sempre o bom humor.

Com os pobres, partilhava o pão dos pobres.

Dias havia em que não tomava senão pão e água. De importância histórica tornaram-se as suas visitas à Suíça, onde criou instituições católicas de grande importância.

Não só os católicos, mas também os próprios protestantes, recebiam jubilosamente o “santo bispo”.


Por intercessão de Carlos, a Suíça católica recebeu um Núncio Apostólico.

Foi Carlos quem introduziu na Suíça a Companhia de Jesus e a Ordem dos Capuchinhos, e defendeu os católicos suíços contra as inovações do Protestantismo.



Carlos sabia muito bem que a caridade abre os corações também à religião.

Por isto foi que grande parte da receita pertencia aos pobres, reservando ele para si só o indispensável.

Heranças ou rendimentos que lhe vinham dos bens de família, distribuía-os entre os desvalidos.

Tudo isto não agüenta comparação com as obras de caridade que o arcebispo praticou, quando em 1569-1570 a fome e uma epidemia, semelhante à peste, invadiram à cidade de Milão.

Não tendo mais do seu para dar, pedia em pessoa esmolas para os pobres e abria assim fontes de auxílio, que teriam ficado fechadas.

Quando, porém, em 1576 a cidade foi visitada pela peste, e o povo abandonado pelos poderes públicos, não tinha outro recurso senão o bispo; este, para não falar na ereção de hospitais e lazaretos que mantinha, visto que ninguém se compadecia do povo, ainda procurava os pobres doentes de que ninguém lembrava, consolava-os e dava-lhes os santos sacramentos.






 Tendo-se esgotado todas as fontes de recurso, Carlos lançou mão de tudo o que possuía, para amenizar a triste sorte dos doentes.












Mais de cem sacerdotes tinham pago com a vida, na sua dedicação e serviço aos doentes.

Deus conservava a vida do arcebispo, e este se aproveitou da ocasião para dizer duras verdades aos ímpios e ricos esquecidos de Deus.



A peste ocasionou a fundação de um grande asilo para pobres.


Além desta instituição, outros estabelecimentos de utilidade pública, a São Carlos devem sua fundação, como por exemplo, o Instituto dos Nobres em Milão, a Pia União pela salvação de pessoas do sexo feminino periclitadas, e diversas associações de beneficência.


São Carlos, escreveu ainda duas pastorais, uma intitulada “Reminiscências para o povo da cidade e do arcebispado de Milão, e instruções para todas as classes, para praticarem as virtudes da vida cristã”, e a outra: “Reminiscências dos dias dolorosos da peste”.





 




















Quem diria que, um bispo tão zeloso e tão santo, pudesse ser alvo de acusações, como se tivesse tendências antipatrióticas?

Os primeiros que lhe atiraram pedras, foram aqueles elementos que mais se sentiram incomodados pela obra da reforma do prelado.

Dos leigos, eram principalmente representantes da alta aristocracia, cuja vida estava em contradição com as leis da Igreja sobre o matrimônio.

Dos clérigos, eram em primeiro lugar frades rebeldes que, intimados à sujeitar-se à reforma, se estribavam em direitos inatingíveis e privilégios centenários.

 Milão pertencia à Espanha, sendo governado pelo duque de Milão, que era rei da Espanha.

O primeiro governador, o duque Albuquerque, por ser admirador pessoal do venerável Bispo, conservou as boas relações com a Cúria.

Seu sucessor, porém, Aloísio Requesens, atendendo às reclamações dos que se julgavam ofendidos em seus direitos, desrespeitou a jurisdição episcopal e respondeu à sentença da excomunhão com a ocupação militar do Castelo de Arona (propriedade dos Borromeus) e do palácio arquiepiscopal.













 
No ano de 1579, uma deputação apresentou em Roma as seguintes queixas contra o arcebispo: de Carlos Borromeu ter proibido as danças e divertimentos públicos nos domingos; a prolongação costumeira das folganças carnavalescas até depois do primeiro domingo da quaresma; de ter interdito a passagem pública pelas igrejas, quando esta era facultada para encurtar o caminho; de na época da peste ter usurpado direitos que não lhe competiam e procurado engordar o povo; e por último, do rigor excessivo contra o clero.



Gregório XIII, como infundadas não só rejeitou as acusações, mas ainda recebeu Carlos Borromeu em Roma, com as mais altas distinções.

Em resposta a este gesto do Papa, o governador de Milão, organizou no primeiro domingo da Quaresma de 1579, um indigno préstito, carnavalesco pelas ruas de Milão, precisamente à hora da missa do arcebispo.

O mesmo governador, que tanta guerra ao Prelado movera, e tantas hostilidades contra São Carlos estimulara, no leito de morte reconheceu o erro e teve o consolo da assistência do santo bispo na hora da agonia.

Seu sucessor, Carlos de Aragão, duque de Terra Nova, viveu sempre em paz com a autoridade eclesiástica.

O arcebispo gozou deste período só dois anos.

Quando em outubro de 1584, como era de costume, se retirara para fazer os exercícios espirituais, teve fortes acessos de febre, a que não ligava importância e dizia:

“Um bom pastor de almas, deve saber suportar três febres, antes de se meter na cama”.

Os acessos renovaram-se e consumiram as forças do arcebispo. Provido dos santos sacramentos, expirou aos 03 de novembro de 1584.

Suas últimas palavras foram: “Eis Senhor, eu venho, vou já”.

 São Carlos Borromeu tinha alcançado a idade de apenas 46 anos, e a sua morte foi muito pranteada.





Para evitar uma inscrição pomposa na campa, tinha determinado no testamento que, no túmulo, lhe lessem as seguintes palavras:

Carlos, Cardeal, com o título de Santa Praxedes, arcebispo de Milão, que se recomenda à oração fervorosa do clero, do povo e do sexo feminino piedoso, em vida escolheu este monumento para si”.

Paulo V, canonizou-o em 1610 e fixou-lhe a festa para o dia 04 de novembro.

O Corpo do santo em boa conservação, repousa na cripta do “duomo”, de Milão.



Reflexões



São Carlos empregou todos os emolumentos do múnus episcopal pela glória de Deus e para benefício dos pobres.

Este traço característico da sua vida, mereceu-lhe ainda mais a admiração e gratidão dos homens, do que se tivesse despendido os bens com parêntese amigos, em construções luxuosas, em festas e vaidades, como fizeram representantes do mesmo estado antes e depois, de cuja memória a história guardou apenas os nomes.

Que merecimento teria são Carlos, se tivesse imitado o exemplo de outros, que mau uso fizeram das riquezas?

Para quantos a fortuna material tem sido a causadora da desgraça eterna?

Diz São Leão: “Não só os bens espirituais, como também os materiais, vem de Deus, de cuja administração pedirá rigorosas contas.

Os bens, tanto estes como aqueles, não são propriedades nossas, mas Deus no-los confia para que, distribuindo-os prudentemente, não nos sirvam de ocasião para pecar e de condenação eterna.



* * * * * * * * *

FONTE:













TÚMULO DE SÃO CARLOS BORROMEU




NOSSA SENHORA, SÃO CARLOS E OS ANJOS










GUARDAI, SENHOR,
A VOSSA IGREJA
 COM A CONTÍNUA PROTEÇÃO DO BEM-AVENTURADO CARLOS,
VOSSO CONFESSOR E PONTÍFICE,
A FIM DE QUE ,
GLORIFICADO PELO SEU ZÊLO PASTORAL,
NOS ALCANCE
 COM A SUA INTERCESSÃO
A GRAÇA DE VIVERMOS INFLAMADOS NO VOSSO AMOR.

POR NOSSO SENHOR JESUS CRISTO.
AMÉM










EIS UM GRANDE SACERDOTE
QUE DURANTE A SUA VIDA SOUBE AGRADAR A DEUS.
ECL 44,16


"TU ÉS SACERDOTE PARA SEMPRE
SEGUNDO A ORDEM DO REI MELQUISEDEQUE."
 ALELUIA.
SL 109,4



FAZEI,
Ó DEUS ONIPOTENTE,
QUE A SOLENIDADE DO VOSSO BEM-AVENTURADO
CONFESSOR E PONTÍFICE
CARLOS BORROMEU
NOS AUMENTE O FERVOR E NOS ALCANCE  SALVAÇÃO.
POR CRISTO.
AMÉM




QUE OS VOSSOS SANTOS, SENHOR,
 NOS COMUNIQUE A ALEGRIA EM TODA PARTE;
E ENQUANTO CELEBRAMOS OS SEUS MÉRITOS,
SINTAMOS A SUA PROTEÇÃO.
POR NOSSO SENHOR.
 AMÉM

SÃO CARLOS BORROMEU, ORAI POR NÓS!










SÃO CARLOS DANDO A COMUNHÃO A UM DOENTE